Dia Mundial do Fusca: carro é sensação entre os admiradores


Por Cícero Goytacaz

Bortolassi: "meta agora é colocar placa preta" / Foto: José Aldinan / DC

Bortolassi: "meta agora é colocar placa preta" / Foto: José Aldinan / DC

Neste domingo (22) é celebrado o Dia Mundial do Fusca. Lançado na Alemanha em 1938, o Volkswagen Fusca começou a ser produzido no Brasil em 1959. Sua história começou anos antes, em 22 de junho de 1934, quando foi assinado um contrato entre a Associação Nacional da Indústria Automobilística Alemã e o engenheiro automotivo Ferdinand Porsche, para desenvolver um carro popular.

Ao longo de cerca de nove décadas de história, o Fusca coleciona admiradores em todo o mundo, principalmente no Brasil, e cada vez mais deixa de ser um utilitário, para virar carro de estimação. Em Ponta Grossa (PR), um dos entusiastas do modelo é Renan Bortolassi, major do Corpo de Bombeiros, que recentemente adquiriu um Fusca para uso pessoal e contou ao Diário dos Campos como está sendo a experiência.

Fusca, um patrimônio familiar

Bortolassi sempre teve vontade de ter um fusca e adquiriu o seu há três meses. O veículo é uma sensação entre os colegas do 2º Batalhão Bombeiro Militar (2ºBBM). Ele afirma que pelo menos sete companheiros de quartel possuem um Fusca.

Para o major, o Fusca não é apenas um carro clássico. O que o motivou a comprar foi “tudo o que ele representa: simplicidade, resistência e, principalmente, memória afetiva”. Seu propósito é tornar o Fusca azul um patrimônio de sua família, para que todos compartilhem do mesmo sentimento.

“Sempre procurava e olhava alguns modelos à venda, mas nunca um que agradava. Até que encontrei um modelo 1976, na cor azul oriente, em bom estado de conservação e originalidade”, relata. “O som do motor de um Fusca é inconfundível, basta ouvir de longe para saber. Por onde andamos, as pessoas olham, acenam, perguntam o ano, elogiam. É impressionante como esse carro desperta emoções e lembranças nas pessoas”.

Primeiro perrengue

Logo no primeiro dia em que o Fusca foi comprado, Bortolassi compartilhou que o veículo já rendeu história. “O Fusca não passou de Campo Largo por conta de problemas no motor. Tivemos que chamar um guincho, já era tarde da noite e, por sorte, estávamos acompanhados do nosso amigo Alan. Ele nos deu apoio durante todo o trajeto. (…) Os meninos, cansados, acabaram dormindo no carro do Alan até chegarmos em casa. Aquela cena deles dormindo ali, depois de toda a aventura, vai ficar pra sempre guardada no meu coração. E sei que, para eles, essa lembrança também será eterna”, conta.

Herança

“Quero que o Fusca seja passado de geração em geração, para meus filhos, netos, bisnetos, que cada um deles sinta o orgulho de fazer parte dessa história”, expressa Bortolassi, que costuma usar o veículo para passeio aos fins de semana, dar voltas sem pressa, para curtir o momento. “O carro virou parte da nossa rotina, do nosso tempo juntos, da nossa história”, completa.

Diva Cleide e o fusquinha da sorte, vendido em maio para não ficar ao relento / Foto: acervo pessoal

Pelo bem do Fusca

Diva Cleide, moradora da Vila Borato, também aprendeu a gostar do carrinho. Ela ganhou um Fusca ano 1968, em sorteio realizado pelas paróquias São Francisco de Assis e São Pedro Apóstolo, no ano passado.

Diva conta ao Diário dos Campos que o bilhete premiado foi comprado de última hora. “Peguei umas cartelas para vender, comprei uns bilhetes e, na véspera, meu genro, que estava vendendo também, colocou no grupo da família que tinha sobrado uns bilhetes. Acabei comprando mais dois e foi com um desses que ganhei o carro”, recorda.

Diva trabalhou como técnica de enfermagem e sempre foi reconhecida em seu bairro. Quando foi premiada, muitos amigos e familiares a parabenizaram. “Fiquei com o carro, a gente passeou, eu dirigi, meu filho e meu genro também. Curtimos bastante. Quem queria chegava, dava uma voltinha. Foi gostoso o tempo que ficamos com ele, mas agora em maio acabei vendendo”, diz. Segundo Diva, a decisão de vendê-lo também tem a ver com o carinho reservado ao veículo: sua garagem é muito pequena, e não quis deixar o veículo ao ar livre, para não deteriorá-lo.

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