
Nessa segunda-feira (27), o jornal Diário dos Campos celebrou 119 anos de uma trajetória que se confunde com a própria história de Ponta Grossa e dos Campos Gerais. Fundado em 1907 por Jacob Holzmann, um imigrante russo que atuava como alfaiate, músico e vereador, o periódico nasceu sob o nome de O Progresso. Inicialmente um semanário produzido de forma manual, o jornal surgiu no rastro da urbanização impulsionada pela chegada da ferrovia à região.
A consolidação como veículo diário e a mudança para o nome atual ocorreram em 1º de janeiro de 1913. Ao longo das décadas, o jornal destacou-se por liderar campanhas de desenvolvimento regional, como a construção do ramal ferroviário entre Jaguariaíva e Ourinhos, inaugurado em 1919. Figuras como Hugo dos Reis marcaram as primeiras décadas ao utilizar o periódico para mediar conflitos sociais, como a greve geral de 1917, e promover debates culturais com colaboradoras como a escritora Anita Philipovsky.
A “Era Juca”, iniciada em 1931 sob a direção de José (Juca) Hoffmann, trouxe modernização tecnológica com a aquisição da primeira máquina linotipo. O jornalismo de Hoffmann foi caracterizado pela investigação e pelo embate político, chegando a enfrentar episódios de prisão e censura. Em 1963, o veículo foi vendido ao grupo Slaviero, que profissionalizou a redação com padrões internacionais de técnica jornalística.
Após uma pausa em 1990, motivada pela necessidade de modernização gráfica, o Diário dos Campos retornou definitivamente em 15 de setembro de 1999, sob a gestão do engenheiro civil Wilson Oliveira. Desde 2015, o jornal acelerou sua transição para o ambiente digital, fortalecendo a presença online e mantendo edições impressas às terças e sextas-feiras.
“O DC é uma das instituições mais antigas e tradicionais de Ponta Grossa. Em mais de um século de existência, narrou e vivenciou mudanças. Segue registrando a vida em sociedade, e atuando em questões de importância para o desenvolvimento de toda a região”, comenta Oliveira.
O editor-chefe do DC, Danilo Kossoski, lembra que a redação hoje é multimídia, trabalhando em conteúdos nos formatos de áudio, vídeo, texto e foto. Além disso, muito do que é produzido gera também leitura nas redes sociais do DC. “É fantástico saber que as páginas do Diário dos Campos já tiveram nomes que ficaram marcados pela importância na história. Considero um privilégio fazer parte dessa trajetória, honrando o passado e buscando manter o trabalho ético e sério que originou o DC”, diz.
