Cresce demanda nas UTIs por leite materno em Ponta Grossa


Por Edilene Santos
Banco de Leite Humano da UEPG

Banco de Leite Humano da UEPG está com baixo estoque / Foto: Tierri Angeluci/UEPG

Banco de Leite Humano da UEPG
Banco de Leite Humano da UEPG está com baixo estoque / Foto: Tierri Angeluci/UEPG

Este mês é dedicado à conscientização sobre a importância do leite materno e, por isso, são realizadas diversas campanhas no Agosto Dourado. Mas, apesar das ações realizadas especialmente pelos setores de saúde, a notícia para Ponta Grossa não é boa: caiu o número de mães doadoras; em contrapartida, aumentou a demanda de bebês que necessitam de leite.

Dados do Banco de Leite Humano, mantido pela rede de Hospitais Universitários da Universidade Estadual de Ponta Grossa (HU-UEPG), revelam que em 2023 foram coletados 1.130 litros de leite. No ano seguinte, em 2024, o volume subiu para 1.222 litros. Já em 2025, até julho, o total é de 484,7 litros, número que indica redução no ritmo de doações.

O levantamento, realizado a pedido do Diário dos Campos, também mostra queda no número de mães doadoras: a média anual era de 69,2 mulheres em 2023, reduziu para 58,2 no ano passado e chegou a 51 até julho de deste ano.

Infográfico Banco de Leite Humano

Dados do Banco de Leite Humano HU-UEPG

Volume Coletado (Litros)

Média de Mães Doadoras

Atendimentos (Mães/Bebês)

Apesar da diminuição do volume coletado e na quantidade de doadoras, o atendimento a bebês aumentou de forma expressiva. Em 2023, a média foi de 100 atendimentos (mães/bebês). Em 2024, o número mais que dobrou, alcançando 236 atendimentos. Já neste, a média até o momento é de 372 mães e bebês assistidos.

Crianças beneficiadas

A coordenadora do Banco de Leite Humano, Cláudia Cancian, diz que a demanda cresceu devido ao aumento de bebês prematuros atendidos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) neonatais da cidade.

Por conta do baixo estoque, somente recém-nascidos prematuros é que recebem o leite doado. E ainda assim, segundo Cláudia, às vezes os médicos precisam complementar a alimentação deles com fórmulas. Se o número de doações aumentasse, até bebês em fase intermediária de risco em tratamento poderiam ser beneficiados.

Banco de Leite Humano funciona no Ambulatório do HU, no Centro de Ponta Grossa / Foto: Tierri Angeluci/UEPG

Saiba como doar

De um lado, crianças necessitando de leite materno, de outro, mães que nem sabem que podem ser doadoras. Toda mulher saudável, que esteja amamentando e tenha leite excedente pode ser doadora. Para isso, é necessário que ela não faça uso de medicamentos contraindicados para a doação e que siga os protocolos de higiene e armazenamento adequados.

Foto: Fabio Ansolin/ UEPG

As informações e meios de contato estão disponíveis no site: https://hu.uepg.br/banco-de-leite-humano/.

Incentivo à doação

Na avaliação de Cláudia, falta informação para que mais mulheres passem a doar. Por isso, uma série de ações está sendo realizada desde o início do mês para incentivar a prática.

A programação envolve oficinas de amamentação, de introdução alimentar e rodas de conversa entre mães e gestantes e acontecem no Hospital Universitário Materno-Infantil (Humai) e no Ambulatório Universitário Amadeu Puppi. “Estamos fazendo também a capacitação de todos os funcionários para que possam acolher melhor as mães, tanto na fase da gestação quanto no puerpério. O leite salva vidas e é a melhor estratégia para promover a queda da mortalidade infantil”, explica a coordenadora.

Próximos eventos do Agosto Dourado:

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