
Você acredita que uma boa oratória é um dom de nascença? Muitas pessoas acreditam que, para falar bem em público, tem que “nascer sabendo”. Porém a realidade é outra: com estudo, técnicas e esforço, é possível vencer o terrível medo de falar em público. O Diário dos Campos entrevistou a fonoaudióloga Audrey Costa, de Ponta Grossa, que orientou como superar os desafios e trabalhar bem a voz.
A oratória é extremamente importante na vida humana, pessoal e profissionalmente. Segundo o blog do Centro de Integração Empresa-Escola do Paraná (CIEE-PR), trata-se de uma qualidade cada vez mais procurada por empresas de diversos segmentos, na hora de contratar novos profissionais. O bom uso dessa habilidade destaca um profissional, aumentando suas chances de contratação, além de tantos benefícios à autoestima humana, na comunicação do dia a dia.
Como conter o tremor na voz?
O tremor na voz é um dos principais problemas enfrentados quando se tem medo de falar em público. A fonoaudióloga Audrey Costa explica que o primeiro passo para contê-lo é investigar para entender de onde vem o tremor. “Às vezes é pela ansiedade do momento, ou por falta de apoio na hora de soltar o ar, ou até mesmo uma questão física”.
Segundo a profissional, a receita inicial é acertar a respiração. “Usar a respiração do diafragma, aquela mais baixa usando o abdômen, dá sustentação para a voz não balançar”, orienta.
Aquecimento da voz
Com a respiração correta, o próximo passo é aquecer a voz. “A recomendação é começar pelo simples, como vibrar os lábios ou a língua antes de falar, pois isso prepara os músculos da laringe e tiram aquela sobrecarga de tensão, que faz a voz tremer”, detalhou Audrey.
Postura
O caminho para uma boa oratória passa por entender, segundo a fonoaudióloga, que “a voz não sai só da garganta, ela sai do corpo todo”. A postura corporal é um elemento fundamental e se atentar à ela contribui diretamente para falar bem.
“A recomendação de ouro é o alinhamento: pés firmes no chão para te dar segurança, coluna ereta, mas sem parecer que ‘engoliu um cabo de vassoura; os ombros precisam estar relaxados, porque aquela tensão acumulada no pescoço e no trapézio esmaga a laringe e acaba com a projeção da voz”, explicou. “E cuidado com o queixo! Ele não pode estar muito alto, pois tensiona a garganta, nem muito baixo, para não esmagar o canal da voz. O queixo deve ficar paralelo ao chão”, destacou.
Como lidar com o “deu um branco”?
O famoso “branco” pode acontecer com todo mundo, até com aqueles que consigam dominar a oratória. “O segredo aqui é não entrar em pânico, se esquecer o que ia falar, faça uma pausa e respire”, recomenda Audrey. “O silêncio bem aproveitado é elegante, não precisa ter medo dele”, acrescentou.
“Em vez de ficar no ‘humm’, ‘ééé’, use o tempo para oxigenar o cérebro, com uma frase de transição natural, do tipo ‘o que eu quero destacar com isso é…’, ou ‘voltando ao ponto principal…’, por exemplo. Ter frases de encaixe para qualquer contexto ajuda muito”, concluiu a fonoaudióloga.