Como o ‘tarifaço’ dos EUA impacta Ponta Grossa? Especialistas comentam

A administração de Donald Trump anunciou um novo “tarifaço” para os produtos que os Estados Unidos importam de outros países. O Brasil foi listado e, a partir do sábado (5), todo produto brasileiro exportado para os americanos será taxado em 10%. Como isso impacta as empresas de Ponta Grossa?
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A região de Ponta Grossa pode sofrer impactos pequenos ou significativos, conforme serão os anúncios dos próximos dias.
Nas exportações de Ponta Grossa
No âmbito das exportações ponta-grossenses, o impacto é pequeno, segundo a coordenadora de Administração e Comércio Exterior da UEPG, professora Adriana Fabrini. De acordo com levantamento realizado pela especialista e apresentado ao Diário dos Campos, os EUA são apenas o 15º parceiro comercial das empresas da cidade no âmbito das exportações: PG exportou cerca de US$ 30 milhões para os americanos em 2024.

“Além dos Estados Unidos serem apenas o 15º parceiro comercial de exportações da cidade, os produtos que Ponta Grossa exporta podem ser facilmente negociados em outros mercados, caso os EUA decidam não importar após as tarifas”, afirma. PG exporta para aquele país, nesta ordem: papel, madeira, produtos químicos orgânicos, ferramentas pneumáticas, polímeros acrílicos, hidrocarbonetos, correias transportadoras, malas e maletas, além de outras obras de plástico.

Cenário nacional e negociações diplomáticas após tarifaço
Se os exportadores ponta-grossenses vão sentir pouco os impactos do ‘tarifaço’, o mesmo não se pode dizer a nível nacional. Os EUA foram o segundo maior parceiro de exportações do Brasil em 2024, com mais de US$ 40 bilhões negociados entre as duas nações. O primeiro parceiro brasileiro é a China.

A professora afirma que ainda é cedo para estabelecer exatamente quais serão os impactos das tarifas, mas ela diz que os especialistas em Comércio Exterior avaliam que há duas principais possibilidades futuras para a questão envolvendo os negócios dos EUA com o Brasil.
Decisões de Trump
“Ninguém sabe ao certo por que o governo americano está tomando estas ações. Mas as duas principais hipóteses são: ou os EUA querem que os países os procurem para negociar individualmente melhores taxas, ou trata-se apenas de uma clássica medida protecionista como há muito tempo não víamos”, comenta Adriana Fabrini.
E o que o Brasil vai fazer em relação a isso? A docente acredita que o Brasil poderá seguir entre duas prováveis linhas de ação: tentar negociar diplomaticamente melhores taxas com os EUA ou aplicar a reciprocidade, ou seja, também taxar as importações vindas dos Estados Unidos em 10%.
De que forma Ponta Grossa seria afetada
Supondo que o Brasil aplique a política da reciprocidade, afirma Adriana Fabrini, aí Ponta Grossa seria afetada de maneira significativa. Isto porque, se os EUA são o 15º país para o qual a cidade mais exporta, os produtos americanos estão no 5º lugar nas importações ponta-grossenses. Foram cerca de US$ 65 milhões em produtos trazidos dos Estados Unidos para a cidade. Todo produto custaria, automaticamente, 10% a mais.
Análise da ACIPG
A Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG) fez uma análise preliminar para o Diário dos Campos, indicando potenciais impactos das tarifas de Trump no Município.
Segundo a Entidade, ainda é cedo para apresentar um panorama claro dos resultados da taxação 10% sobre produtos brasileiros em Ponta Grossa. Ricardo Pimenta, Diretor de Desenvolvimento Local da ACIPG, ressalta que ainda existe uma necessidade crucial de entender os impactos na economia global e as reações das maiores nações.
“As novas tarifas de Donald Trump nos EUA trazem um cenário de incerteza para a economia de Ponta Grossa, com potenciais impactos diretos nas empresas, no mercado de trabalho e no comércio local. Contudo, reiteramos que esta é uma avaliação preliminar e conclusões definitivas só poderão ser alcançadas após um estudo mais detalhado, considerando as dinâmicas da economia global e as possíveis respostas dos governos”, informou Pimenta.
Segundo ele, empresas dos setores de embalagens, beneficiamento de soja e cereais, e possivelmente fornecedores da indústria automotiva podem sentir o aumento dos custos de exportação para os EUA.
Alexandre Taques, diretor de Campanhas Institucionais da ACIPG, acredita que em empresas cujo foco são as exportações as tarifas podem obrigar a direcionar seus produtos para o mercado nacional, impactando negativamente seus resultados e comprometendo seus compromissos financeiros.
“Indústrias que utilizam máquinas, componentes ou matérias-primas americanas podem ver seus custos de produção aumentarem devido à valorização do dólar”, pontua.
Adicionalmente, Leonardo Betnardi, vice-presidente da ACIPG, compartilha a seguinte perspectiva:
“Vamos saber realmente o impacto concreto dessas tarifas depois do dia 9 de abril, quando o governo Trump deverá definir a tarifa específica para cada setor. A princípio, foi anunciado um patamar mínimo de 10%, mas cada setor poderá ter uma alíquota entre 10% e 25%. Essa definição setorial será crucial para dimensionarmos os efeitos em cada segmento da nossa economia local.”
