03 de junho de 2026

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Com mobilete adaptada, ‘Seo Grasito’ não perde jogos no Germano Krüger


Por Felipe Liedmann Publicado 06/09/2020 às 01h38 Atualizado 23/02/2026 às 15h54
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Para o jogo contra o Guarani, Grasito adicionou uma banqueta sobre a mobilete. Foto: Walter Téle Menechino

A pandemia da covid-19 afastou torcedores dos estádios de futebol em todo o país, mas há aqueles que fazem de tudo para acompanhar o time do coração. Um exemplo está em Ponta Grossa: ‘Seo Grasito Klososki’, de 76 anos. O aposentado não perde os compromissos do Operário Ferroviário pela Série B do Brasileiro.

Para ver o Fantasma em campo neste momento de arquibancadas vazias, Grasito improvisa. Ele chega ao estádio um pouco antes do apito inicial, encosta a mobilete no muro do Estádio Germano Krüger e sobe no assento para ‘espiar’ a partida. Foi assim que na semana passada viu o Operário vencer o Brasil de Pelotas por 2 a 1.

A visão ali não é das melhores, mas ciente disso o torcedor ‘inovou’ para o jogo deste sábado (5) contra o Guarani. Uma banqueta de madeira foi colocada sobre o assento e amarrado na mobilete. “Com o banco aqui eu fico mais confortável. É para ficar mais alto e ver o jogo melhor”, aponta o animado torcedor, que foi vendedor de jornais e trabalhou em açougue no Mercado Municipal por 35 anos.

‘Seo Grasito’ é apaixonado pelo alvinegro e saudoso. Ele acompanha o Operário desde 1951, quando tinha apenas sete anos de idade e gosta de lembrar do futebol da época.

“A minha maior alegria foi quando o Operário disputou com o Coritiba em 1961. O Operário tinha um ‘senhor’ time. Eu venho aqui até hoje porque gosto muito, tenho que torcer, é o time da cidade, mas quanta diferença do futebol daquela época para hoje! Os jogadores eram mais técnicos, tocavam mais a bola. Hoje os jogadores são muito individualistas”, critica.

A reportagem do DC conversou com o aposentado no intervalo da partida contra o Guarani – momento em que o jogo estava 1 a 1. Foi possível perceber que Grasito, mesmo sobre a mobilete, consegue enxergar detalhes do que ocorre no gramado.

“O Operário levou o empate. O rapaz da defesa ao invés de limpar a jogada quis sair com ‘toquezinho’, perdeu a bola, deu um ‘perereco’ na área e saiu o empate. O Operário pode ganhar sim, mas tem que dar umas ajeitadinhas. A falha que eu vejo é o lateral direito deles jogando sozinho aqui. Tá jogando à vontade. Bom de bola esse número 2”, opinou no intervalo.

Para tristeza do torcedor, o Operário não se ajeitou e perdeu pela primeira vez em Vila Oficinas: 2 a 1 para o Guarani. O segundo gol saiu justamente pelo lado direito de ataque dos visitantes – setor que Grasito havia apontado como problemático no intervalo.

‘Seo Grasito’ acompanha jogo do Operário por cima do muro. Foto: Walter Téle Menechino

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