Arte a céu aberto é apagada no Centro de Ponta Grossa


Por Redação Diário dos Campos

Uma obra em grafite produzida por artistas locais, foi apagada nesta quinta-feira (8), após ficar dois meses em exposição em uma parede de imóvel na área central de Ponta Grossa. A retirada do painel gerou estranheza em populares, que entraram em contato com a reportagem do Diário dos Campos e portal dcmais, questionando o  motivo de a parede branca ter substituído as cores aplicadas cerca de dois meses antes. A reportagem foi atrás da história.

A arte

O desenho foi elaborado em abril, quando da inauguração de uma loja de roupas na Rua Francisco Búrzio. De acordo com o diretor da loja PGZ, Arison Leandro Souza, a ideia era valorizar a produção de artistas locais e criar um mural artístico a céu aberto. A ilustração exibia o perfil de um ser humano olhando para o alto, com a representação de pássaros coloridos ao redor, em uma aparente referência à busca pela liberdade.

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Mas, logo no início, a obra não agradou a todos, principalmente ao proprietário do imóvel ao lado. “Eu paguei pelos materiais, e cedemos espaço para os artistas. O proprietário não gostou e mandou pintar de branco”, diz Arison, que viu a obra ser encoberta nessa quinta-feira. Como seu imóvel é alugado, também não viu como impedir a eliminação da pintura.

Tinta branca encobriu pintura feita há cerca de dois meses

Obra não tinha autorização

Ocorre que a obra não foi feita em um muro, simplesmente, mas sim na parede do prédio vizinho. A obra artística não apenas fez uso da parede que está fora da área da loja, como também foi realizada sem autorização do proprietário.

A reportagem contatou o proprietário, Paulo Barros, que explicou não ter ocorrido nenhum contato prévio, e que a pintura não ficava somente no nível do que seria um muro de divisa, mas atingia a altura do segundo pavimento de seu prédio. Segundo ele, do ponto de vista legal, a pintura só poderia ter sido realizada com seu consentimento.

Autoria

A reportagem também contatou o artista responsável* pela obra, Jackson Paes. Ele diz que a obra não chegou a ser concluída, pois foi interrompida pela confusão envolvendo a propriedade da parede. “Eu não sei do ponto de vista jurídico, mas acho que a obra foi mal compreendida, e que está sendo apreciada por quem está dentro da loja e não precisava ser apagada”, disse.

*Errata: a reportagem informava que o autor não quis se manifestar. Mas a artista contatada não era autora da obra tratada na matéria, mas sim de outras existentes na loja mencionada.

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