
Os Estados Unidos decidiram adiar o início da vigência das tarifas contra o Brasil e outros países para o dia 7 de agosto. O nosso país, que será atingido com taxas de 50% para os produtos enviados aos EUA, recebeu uma lista de centenas de produtos que ficarão fora desta taxação, como suco de laranja, aviões, produtos que já estão em trânsito e certos derivados de madeira, entre outros.
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Contudo, empresas de Ponta Grossa e região dos Campos Gerais continuarão sendo afetadas. O setor florestal e madeireiro, principalmente, tem boa parte de seu modelo de negócio pautado pela exportação dos produtos aos Estados Unidos.
A Braspine, por exemplo, que deu férias coletivas para mais de 1500 colaboradores em Jaguariaíva e Telêmaco Borba, continua sendo afetada mesmo com as exceções às tarifas, informou a assessoria da empresa ao Diário dos Campos. O DC noticiou as medidas de desmobilização realizadas pela companhia.
Celulose está na lista de exceções
Na lista de exceções do decreto norte-americano e importantes para o setor, estão: celulose química (solúvel, soda, sulfato, sulfito), celulose semiquímica, e celulose de papel reciclado ou bambu, de acordo com a APRE Florestas, entidade que reúne companhias do setor florestal do Paraná.
São produtos que os Estados Unidos não produzem, como a celulose de fibra curta à base de eucalipto, base para fabricação de itens como papel higiênico, guardanapo e toalha de papel.
Outro produto do setor de florestas plantadas que está na lista de exceções é o ferro-gusa, que no Brasil é produzido em parte com carvão vegetal na substituição de outros insumos de origem fóssil, afirma a entidade.
Férias coletivas e retração nas exportações
Antes mesmo do anúncio oficial da nova tarifação, empresas do setor já haviam iniciado movimentos de contenção: suspenderam envios aos EUA, reduziram estoques e adotaram férias coletivas para preservar empregos. Agora, com a medida oficializada, o cenário se torna ainda mais delicado, diz associação florestal em nota enviada ao DC.
“Antes da efetivação da tarifa, as empresas estavam em compasso de espera, revendo investimentos e estratégias. A exportação para os Estados Unidos, nosso principal mercado, representa volumes que não podem ser redirecionados de forma rápida a outro mercado. Buscar novos compradores é um trabalho lento, de médio prazo, e muitas vezes exige redução de preços” afirma o presidente da APRE, Fabio Brun.
Entidades se levantam contra tarifaço
A Federação Nacional dos Institutos dos Advogados do Brasil (Fenia) foi uma das entidades que protestou contra as medidas impostas pelo governo americano. “Nas últimas semanas, assistimos a uma escalada de ações que extrapolam os limites do diálogo entre nações, entre as quais se destacam ameaças de imposição de tarifas punitivas e barreiras comerciais unilaterais a produtos estratégicos brasileiros. Tais medidas afetam gravemente nossa balança comercial, comprometem setores essenciais da economia e contrariam os princípios do comércio justo, bem como as normas multilaterais estabelecidas no âmbito da Organização Mundial do Comércio”, diz manifestação pública da entidade.
