
O Serviço de Acolhimento Familiar de Ponta Grossa oferece a crianças e adolescentes afastados temporariamente de suas famílias de origem a possibilidade de viver em um ambiente familiar, com afeto, cuidado individualizado e proteção. Executado pela Prefeitura, por meio da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG), o programa depende do engajamento de famílias voluntárias dispostas a acolher e garantir direitos em um momento delicado da vida dessas crianças.
Porém, o número de voluntários ainda é insuficiente para atender à demanda, segundo dados enviados pela Prefeitura ao Diário dos Campos.
Em Ponta Grossa, apenas oito famílias são consideradas aptas atualmente, e outras quatro estão em processo de capacitação. Em contrapartida, 74 crianças e adolescentes permanecem acolhidos em instituições, segundo dados da coordenadora do Serviço de Acolhimento Familiar, Adriane Kobilarz.
“Difícil é começar. Hoje eu estou no meu 13º acolhido. Cada vez que penso em parar, meu coração diz para continuar.” O relato emocionado de Josimara de Jesus resume o sentimento de quem descobre no acolhimento familiar uma missão de vida.
O medo do apego e da separação quase impediu Sônia Fiatkoski de se tornar família acolhedora. “Eu pensei: nunca mais vou querer devolver a criança, vou me apegar, vou sofrer. Mas e a criança? E a criança que precisa de uma família?”, relembra. Em 2017, ela acolheu temporariamente um bebê de 10 meses afastado da família de origem por decisão judicial e viu o receio se transformar em amor incondicional.
Para Rejiane Zahaila, acolher é uma tradição de família. “Minha mãe já era família acolhedora”, conta com orgulho. Mãe de três filhos, ela encontrou no acolhimento uma oportunidade de ensinar valores preciosos às novas gerações.
Preparação e acompanhamento
Antes de embarcarem nessa jornada, as famílias inscritas no Serviço de Acolhimento participam de encontros de capacitação. O último foi realizado no fim de novembro.
Considerado modalidade mais humanizada em comparação ao acolhimento institucional, o programa proporciona benefícios para o desenvolvimento das crianças e adolescentes. “O acolhimento familiar oferece algo que nenhuma instituição consegue proporcionar: vínculos afetivos genuínos, rotina doméstica e cuidados individualizados. É a diferença entre ter um teto sobre a cabeça e ter um lar”, destaca Tatyana Belo, presidente da FASPG.
Recompensas que não têm preço
Mesmo diante dos desafios emocionais, as famílias que já abriram seus lares garantem que a experiência é transformadora. “A gente se apega, é como um filho pra gente. Não é fácil, mas não tem dinheiro que pague. Você vê a alegria no rostinho deles, é maravilhoso”, comenta Sônia.
Emocionada, ela recorre a uma metáfora para explicar o papel das famílias acolhedoras: “A gente é como um guarda-chuva, acolhe na hora da tempestade, mas tem que entender que o sol precisa brilhar na vida deles também.”
Como se tornar uma família acolhedora
Se você tem amor para compartilhar e quer fazer a diferença na vida de uma criança ou adolescente, o Serviço de Acolhimento Familiar de Ponta Grossa está de portas abertas. As inscrições para as capacitações ficam abertas durante todo o ano. (com informações das assessorias)
