
A Polícia Civil ouviu novas testemunhas que reforçam o histórico de agressões atribuídas a um homem de 37 anos, preso em flagrante mês passado suspeito da morte do filho de dois meses, em Ponta Grossa. Segundo o delegado Luiz Gustavo Timossi, que comanda as investigações, entre as vítimas estão pelo menos cinco bebês e crianças de até três anos, além de ex-companheiras. Para a autoridade policial, há indícios de que o suspeito possa ter psicopatia.
“Ele possui um padrão de atuação: se aproximava de mulheres grávidas ou com filhos pequenos e se aproveitava de situações em que elas saiam de casa para trabalhar para praticar essas agressões covardes contra crianças de tenra idade, que não tinham como se defender”, explica. Diante da gravidade dos fatos e sinais compatíveis com psicopatia, segundo o delegado, foi solicitado à Polícia Científica a realização de exames para apurar a hipótese de transtorno de personalidade.
O delegado diz ainda que os relatos das testemunhas podem levar o homem a responder pelos crimes de lesão corporal, maus-tratos, tentativa de feminicídio, além de homicídio qualificado contra o bebê.
Histórico de violência
Segundo Timossi, os novos relatos indicam que o suspeito já havia agredido outras crianças em diferentes ocasiões. Um dos registros, de 2016, aponta que ele teria dado um tapa no rosto de um enteado de três anos, causando lesões. Em 2021, outra denúncia relata que uma criança de dois meses sofreu fratura no fêmur enquanto estava sob seus cuidados.
Testemunhas também narraram episódios de violência contra ex-companheiras e outros filhos e enteados. Em 2017, uma ex-parceira disse ter encontrado marcas de mordidas no corpo do bebê do casal, na época com dois meses de idade. Em outra situação, o suspeito teria atirado um gato de estimação contra um enteado de dois anos enquanto a criança tomava banho, causando diversos arranhões.
Há ainda o relato de uma tentativa de feminicídio, ocorrida em setembro de 2016, quando Lucas teria tentado estrangular uma ex-companheira. Outra ex-namorada disse que o homem foi flagrado administrando uma superdosagem de medicamentos a um recém-nascido, justificando que “era melhor para ele não sentir dor”.
As investigações continuam e não se descarta a existência de outras vítimas.
Morte do filho de dois meses
O investigado foi preso no dia 19 de julho, após a morte do filho de dois meses. A mãe da criança, que também teria sido agredida, procurou a Guarda Municipal pedindo socorro, mas o bebê já estava sem vida. Conforme apurado, o crime ocorreu enquanto a mãe estava fora de casa.
As investigações apontaram que o menino foi assassinado horas antes, enquanto estava na companhia de seu pai na residência do casal. “Após matar seu filho, o investigado teria ido sozinho buscar sua companheira, que trabalhava em uma boate. Demonstrando total descaso com o infante, o acusado e sua companheira passaram em um posto de gasolina para comprar cervejas antes de retornarem à residência”, disse Timossi.
