Polícia investiga caso de LGBTfobia em Ponta Grossa


Por Redação Diário dos Campos

Foto: José Aldinan / Arquivo DC

Foto: José Aldinan / Arquivo DC

A inauguração de uma nova balada LGBT em Ponta Grossa foi marcada por um episódio de LGBTfobia nas redes sociais. Um usuário comentou em uma publicação do estabelecimento desejando que o local sofresse uma tragédia semelhante à da Boate Kiss, incêndio que matou 242 pessoas em 2013. O caso gerou forte reação e levou um morador da cidade a registrar um boletim de ocorrência (BO) após receber ameaças. O Diário dos Campos teve acesso ao documento.

Ameaça e denúncia

A nova casa noturna anunciou sua inauguração em uma publicação nas redes sociais. O comentário rapidamente viralizou, levando um dos internautas a expor o caso em um vídeo, que já conta com quase 12 mil visualizações.

“Você usar uma tragédia sem precedentes para ofender o público LGBT é inaceitável”, afirmou o rapaz que fez a denúncia e preferiu não ser identificado. A repercussão fez com que diversas pessoas denunciassem o perfil do agressor, resultando na sua exclusão da plataforma.

No entanto, a situação escalou ainda mais quando o denunciante passou a receber mensagens ameaçadoras de um perfil falso. “Me mandaram uma mensagem dizendo que querem que eu morra de HIV e que meus pais não me aceitam”, relatou.

Veja o print da conversa:

Temendo possíveis represálias, ele registrou um boletim de ocorrência. “Fiquei um pouco receoso, porque a gente não sabe do que uma pessoa dessas é capaz. Fiz o BO para ter uma certa proteção”, explicou.

Secretário de Cultura repudia ataque

Diante da repercussão do caso, o secretário de Cultura de Ponta Grossa, Alberto Portugal, se manifestou em solidariedade aos empresários da boate e criticou o discurso de ódio.

LGBTfobia e consequências jurídicas

LGBTfobia é crime previsto na legislação brasileira desde 2019, quando o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou atos de discriminação contra pessoas LGBTQIA+ ao crime de racismo. Comentários como o feito na publicação podem ser enquadrados na lei, sujeitando o autor a punições legais.

Denúncias podem ser feitas

Casos de LGBTfobia podem ser denunciados nas delegacias comuns ou especializadas, além de canais como o Disque 100, que recebe denúncias de violações de direitos humanos.

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