PMs investigados ofereciam ‘wi-fi’ do posto rodoviário para receber Pix, diz Gaeco


Por Edilene Santos
Operação do Gaeco no posto de Piraí do Sul

Operação do Gaeco no posto de Piraí do Sul / Fotos: Divulgação/MPPR

Operação do Gaeco no posto de Piraí do Sul
Operação do Gaeco no posto de Piraí do Sul / Fotos: Divulgação/MPPR

Os policiais militares investigados pelo Gaeco na Operação Via Pix ofereciam a rede de wi-fi do próprio posto rodoviário para que motoristas fizessem a transferência da propina. A informação foi revelada pelo promotor do Ministério Público, Antônio Juliano Souza Albanez, durante coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça-feira (7), na sede do Gaeco de Ponta Grossa. A cobrança ocorria no posto de Piraí do Sul, na PR-151.

Ele explicou que os motoristas eram abordados no local e pagavam valores aos policiais para não serem multados. “As denúncias partiram de caminhoneiros, que apresentaram comprovantes das transferências”, disse o promotor.

O Gaeco apurou que entre dezembro de 2024 e agosto deste ano o esquema recebeu R$ 150 mil via transferência por meio de Pix. “Mas uma das contas de laranjas está ativa há cerca de dois anos, então, é possível que essas cobranças estavam acontecendo há mais tempo”, observou Antônio.

18 pessoas investigadas

Na Operação Via Pix, nove policiais foram identificados sob suspeita de participação no esquema criminoso, além de nove pessoas civis e pelo menos três empresas ligadas a pessoas próximas dos PMs. Não se descarta a formação de uma organização criminosa. “As funções eram sofisticadas, com divisão de tarefas”, explicou o promotor.

Os envolvidos deverão responder pelos crimes de corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

O comandante do Batalhão de Polícia Rodoviária Estadual (BPRv), tenente-coronel Gustavo Dalledone Zancan, destacou a importância das denúncias. “São nove policiais afastados nas operações de hoje e um preso, mas que não refletem a conduta os mais de 400 integrantes da polícia rodoviária”, disse.

Ação em Guarapuava

O promotor Pedro Henrique Brazão Papaiz – que coordenou a Operação Rota 666, também deflagrada nesta terça em Guarapuava, e que participou da entrevista – disse que as investigações buscam identificar os maus policiais e verificar os desvios de conduta. “Na sequência, o MP pode pedir a exclusão desses policiais, caso a sentença condenatória venha a ser proferida”, afirmou.

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