Operação do Gaeco mira policiais suspeitos de corrupção em PG e região


Por Edilene Santos
Foto de viatura da Polícia Militar em PG

Foto: arquivo DC.

Foto de viatura da Polícia Militar em PG
Foto: arquivo DC.

Os Núcleos de Guarapuava e Ponta Grossa do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, deflagraram nesta terça-feira (7) duas operações conjuntas: a segunda fase da Operação Rota 466 e a Operação Via Pix.

Ambas têm como foco a investigação de crimes praticados por policiais militares rodoviários estaduais. Foram cumpridos mandados de prisão e de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho dos investigados.

Operação Via Pix

Com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, o Gaeco executou 19 mandados de busca e apreensão em residências e postos rodoviários nas cidades de Ponta Grossa, Castro, Piraí do Sul, Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Arapoti, Wenceslau Braz e Siqueira Campos.

As ordens judiciais foram expedidas pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Estadual, que ainda determinou o afastamento das funções operacionais de sete policiais rodoviários e o bloqueio de contas bancárias.

As investigações começaram em março de 2025, após denúncias encaminhadas pelo 4º Comando Regional da Polícia Militar, com sede em Ponta Grossa, informando que motoristas profissionais estavam sendo extorquidos por policiais rodoviários na região de Piraí do Sul.

Como funcionava o esquema

Conforme o Gaeco, as apurações revelaram uma estrutura organizada de corrupção e lavagem de dinheiro, envolvendo policiais militares, empresas e civis. Os investigados exigiam pagamentos indevidos de motoristas durante blitze ou abordagens em postos rodoviários, sob diferentes pretextos, e liberavam os veículos apenas após o recebimento de propina, que era paga em dinheiro ou via PIX — muitas vezes para contas de “laranjas”.

A investigação identificou quase 100 motoristas que efetuaram pagamentos exigidos pelos policiais. Com base na análise das contas bancárias rastreadas entre dezembro de 2024 e agosto de 2025, estima-se que os investigados tenham recebido cerca de R$ 140 mil por meio de transferências via PIX.

Operação Rota 466

Conduzida pelo Núcleo do Gaeco de Guarapuava, com apoio da Corregedoria da Polícia Militar, a segunda fase da Operação Rota 466 cumpriu 11 mandados de busca e apreensão, três de busca pessoal, um de prisão preventiva e ordens de arresto de bens e bloqueio de contas bancárias.

As ações ocorreram nas cidades de Guarapuava, Imbituva, Ponta Grossa, Laranjeiras do Sul, Guaraniaçu e Pitanga. Nesta etapa, o objetivo foi aprofundar as investigações, que apontaram novos indícios de envolvimento de três policiais militares — dois deles da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) — em crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Todos foram afastados de suas funções operacionais.

Propina e corrupção

De acordo com o Gaeco, os policiais exigiam propina de motoristas autuados por infrações de trânsito e de trabalhadores que atuavam em salvamento de cargas tombadas, configurando possíveis crimes de concussão, corrupção passiva e lavagem de ativos.

Um ex-comandante do Posto Rodoviário de Guarapuava, já investigado na primeira fase da operação, foi preso preventivamente. Segundo as apurações, ele teria recebido cerca de R$ 47 mil em propina e tentado obstruir as investigações, dificultando a coleta de provas.

*Com Assessorias

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