
O Ministério Público do Paraná, por meio da 15ª Promotoria de Justiça de Cascavel, no Oeste do estado, denunciou criminalmente um padre afastado, de 42 anos, pela prática de 21 crimes distintos, contra 13 vítimas (com idades entre 12 e 48 anos à época dos fatos).
Na denúncia, oferecida nesta sexta-feira, 3 de outubro, e que está sob sigilo, o MPPR detalha oito crimes de estupro de vulnerável, cinco de importunação sexual, dois de violação sexual mediante fraude (um consumado e um tentado), cinco de tráfico de drogas (na modalidade ministrar/induzir e vender) e um de entrega de substância nociva à saúde destinada a fim medicinal.
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O MPPR pediu, além da condenação do padre afastado, o pagamento de indenizações por danos morais e materiais às vítimas. Os valores solicitados variam de R$ 20 mil a R$ 150 mil. O órgão também pediu a manutenção da prisão preventiva do acusado, com base na necessidade de garantir a ordem pública e a continuidade das investigações.
A denúncia é resultado de uma investigação do Nucria de Cascavel, dentro da Operação “Lobo em Pele de Cordeiro”. Parte dos fatos apurados foi arquivada por prescrição ou falta de provas. Durante o inquérito, surgiram relatos sobre outro religioso, mas não houve denúncia, pois o suspeito já faleceu.
Na peça apresentada, o MPPR faz 25 requerimentos, incluindo a solicitação para que a 15ª SDP de Cascavel investigue possíveis crimes de charlatanismo, exercício irregular da medicina e violação sexual mediante fraude. Também foi pedido que o Nucria e a Delegacia de Campo Mourão continuem apurando outros casos de crimes sexuais com autoria ainda indefinida.
O MPPR questiona ainda a transferência do padre para o Complexo Médico Penal (CMP), em Curitiba, realizada em 15 de setembro sem aviso prévio às autoridades. O religioso continua preso no local. Cópias do processo serão enviadas ao Tribunal de Justiça e à Arquidiocese de Cascavel para apurar supostos desvios de recursos e uso indevido de bens paroquiais.
Por fim, o caso também será encaminhado à 12ª Promotoria de Justiça de Cascavel, que deve tratar da reparação civil de danos causados às vítimas e à comunidade, por condutas que teriam ocorrido desde 2010, envolvendo exploração de vulnerabilidades como fé, dependência química e situação socioeconômica.