
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) realizou operações em Ponta Grossa entre esta terça e quarta-feira (4 e 5 de novembro). As ações tiveram como objetivo o cumprimento de medidas judiciais emitidas a pedido do Ministério Público. O órgão não adiantou informações sobre as operações e todas os dados serão repassados durante uma entrevista coletiva.
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Golpes financeiros
A operação “A Rede” concentra-se na desarticulação de uma organização criminosa que operava uma falsa central telefônica que utilizava técnicas sofisticadas de engenharia social para praticar furtos mediante fraude e estelionato eletrônico. Os criminosos se passavam por funcionários de centrais de segurança bancária (“ligadoras”) para induzir as vítimas a fornecerem dados sensíveis e códigos de segurança (tokens) de suas contas, possibilitando que um hacker invadisse o sistema bancário. No curso das investigações, em apenas um dos golpes identificados houve o furto de R$ 564.874,55 da conta de uma empresa vítima de São Paulo. Em outro caso, contra um cliente que tinha R$ 5 milhões em conta, o crime somente não se consumou porque a vítima foi alertada pelo gerente do banco.
O produto desse crime era lavado a partir de uma complexa rede de contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas de vários estados da Operação. Para cada crime praticado há o envolvimento de dezenas de pessoas, desde os operadores da falsa central telefônica, criminosos que coordenam e angariam laranjas, além dos hackers, que “invadem” a conta das vítimas e transferem os recursos para as contas laranjas. O grupo ainda utilizava uma empresa de fachada, registrada como comércio de artigos de pesca para dissimular a origem do dinheiro. A partir da constatação dessa rede de fraudes bancárias e lavagem de dinheiro, a investigação deu origem a duas outras investigações: a “Muralha de Areia” e a “Vértice”.
Muralha de Areia
Conversas telefônicas entre os membros da organização criminosa, monitoradas com autorização do Judiciário, revelaram um esquema de corrupção envolvendo a compra de benefícios indevidos no sistema prisional. Foram identificados indícios de corrupção ativa e passiva para a concessão de privilégios a presos da Unidade de Progressão em Ponta Grossa, como uso de celular no local de trabalho externo e para acobertar a saída ilegal temporária do detento do canteiro de trabalho.
Vértice – Foram ainda coletadas evidências do envolvimento de parte dos investigados com o tráfico de drogas e de um esquema complexo de lavagem de dinheiro do tráfico, com o pagamento de fornecedores por meio de diversas empresas de outros estados da Federação e da região de fronteira com o Paraguai, todas de fachada. Uma delas, por exemplo, somente no ano de 2025, movimentou mais de R$ 43,6 milhões, o que indica tráfico de drogas em grande escala. (Com informações das assessorias)
