
A Polícia Civil deflagrou na manhã desta terça-feira (2) a operação “Coordenada Falsa”, destinada a cumprir 13 mandados judiciais contra suspeitos de participação na morte de um homem por engano em Ponta Grossa. A ação foi conduzida pelo Setor Operacional da 13ª Subdivisão Policial (SDP).
Ao todo, foram expedidos sete mandados de prisão preventiva e seis de busca e apreensão. As diligências ocorreram simultaneamente em Ponta Grossa e em duas cidades de Santa Catarina, com apoio das delegacias locais para localizar foragidos que atuavam naquele estado.
De acordo com o delegado Gabriel Munhoz, o objetivo é “desarticular toda a cadeia criminosa envolvida no homicídio”, alcançando desde os articuladores e executores até os responsáveis por fornecer armas utilizadas no crime. As investigações também apontam que outros dois suspeitos ligados à ação já morreram.
Advogado investigado
Durante o inquérito, a Polícia Civil identificou o envolvimento de um advogado que, segundo a investigação, teria usado indevidamente seu acesso profissional a sistemas judiciais para levantar informações sobre o paradeiro de um desafeto de seus clientes — o verdadeiro alvo do plano.
A polícia apurou que o investigado consultou processos de execução penal e dados de monitoramento eletrônico para localizar o endereço do rival. Munhoz explicou que o advogado “acabou repassando um número predial incorreto aos executores”, o que levou os criminosos a invadirem a casa errada. Essas informações estão em áudios obtidos pela polícia e enviados ao Diário dos Campos (ouça abaixo, com voz modificada por inteligência artificial). O equívoco resultou na morte de um trabalhador sem qualquer envolvimento com atividades ilícitas.
O crime
O assassinato ocorreu na madrugada de 1º de setembro de 2024, no Jardim Royal, bairro Uvaranas. O motorista de ônibus Everton Henrique dos Santos, 35 anos, dormia em casa com a esposa e o filho quando criminosos armados invadiram o imóvel. O morador foi atingido por vários disparos e morreu sem chance de defesa.
A brutalidade do caso causou forte comoção na comunidade. Desde o início, a 13ª SDP considerou a hipótese de que se tratava de um erro na execução do plano criminoso, confirmada no decorrer das investigações. Os executores buscavam um rival que morava nas proximidades e, segundo Munhoz, “acabaram ceifando a vida de um inocente de forma covarde”.
Os investigados detidos na operação serão interrogados nos próximos dias.
Saiba mais detalhes da operação com os delegados Luis Gustavo Timossi, Nagib Nassif Palma e Gabriel Munhoz:
