
No decorrer das apurações em relação à falsa central telefônica localizada em Ponta Grossa, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriu que ela atendia aos interesses de criminosos ligados ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro. Os detalhes da Operação ‘Vértice’ foram repassados em entrevista coletiva na manhã desta quarta-feira (5).
Segundo o Ministério Público, parte dos investigados utilizava empresas de fachada em diversos estados e na região de fronteira com o Paraguai para movimentar valores ilícitos. Uma dessas empresas movimentou, apenas em 2025, mais de R$ 43,6 milhões, o que reforça as suspeitas de tráfico interestadual e internacional.
A investigação revelou conexões entre o grupo responsável por golpes eletrônicos, apurados na Operação ‘A Rede’, e organizações criminosas ligadas ao tráfico interestadual e internacional.
De acordo com o delegado Fernando Jasinski, do Gaeco de Ponta Grossa, o monitoramento de comunicações e a quebra de sigilos bancários apontaram movimentações financeiras compatíveis com o tráfico de drogas. “No Rio de Janeiro, foi identificada uma empresa que movimentou mais de R$ 50 milhões, mesmo estando inativa perante a Receita Estadual. Ela continuava operando com valores muito altos”, afirmou.
Jasinski relatou ainda que, durante buscas realizadas em Foz do Iguaçu nesta terça-feira (4), um casal de paraguaios foi abordado e teve aproximadamente R$ 30 mil apreendidos, entre moedas nacionais e estrangeiras. “Constatamos que vários traficantes e pessoas com antecedentes criminais transferiam valores para essa empresa, que pertence ao casal. Há indícios de que eles mantinham outras empresas de fachada usadas para lavar o dinheiro proveniente do tráfico”, explicou.
Dinheiro oriundo do tráfico
O promotor de Justiça Antonio Albanez destacou que as investigações sobre os crimes eletrônicos levaram à descoberta de uma confluência de recursos ilícitos vindos de diferentes atividades criminosas. “Quando avançamos na apuração da lavagem de dinheiro, percebemos que parte significativa dos valores movimentados por essas empresas de fachada e pelos ‘laranjas’ tem origem no tráfico de drogas”, afirmou.
Segundo o promotor, o volume das transações, a localização das empresas e o perfil dos envolvidos reforçam essa conclusão. “Identificamos depósitos realizados por pessoas com histórico criminal ligado ao tráfico, além de empresas situadas na região de fronteira, como Foz do Iguaçu, o que é típico desse tipo de atividade”, explicou.
Albanez acrescentou que, durante as buscas no Rio de Janeiro, foram apreendidas drogas em um dos endereços investigados. “Na residência de um dos alvos, que movimentava dinheiro por meio dessas empresas de fachada, foram encontradas drogas com características de comércio. Isso reforça nossos indícios de que parte dos valores investigados não vem apenas dos golpes eletrônicos, mas também do tráfico de drogas”, concluiu.
