Após ameaça de bomba, polícia diz que autor tinha como objetivo extorquir família de PG


Por Vitor Carvalho
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Foto: Levi Cantelmo

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O caso de ameaça de bomba em Ponta Grossa, de acordo com as polícias Civil e Militar, tem como peça central um homem, de 48 anos, que tinha o objetivo de causar temor e extorquir os proprietários de um colégio da rede particular de ensino da cidade. Um artefato foi deixado na entrada da escola na manhã de quarta-feira (29) pelo autor, que exigia das vítimas R$ 1,7 milhão em criptomoedas para não explodir o local.

O delegado da Polícia Civil, Fernando Vieira, e o Capitão Adriano, da Polícia Militar, deram mais detalhes da operação na manhã de quinta-feira (30), em entrevista coletiva. Os policiais chegaram até o autor do crime após extensa verificação de câmeras de segurança e checagem de placas de automóveis. O homem foi localizado e preso na Vila Marina, em Uvaranas. 

O autor usou um veículo Renault Kwid, na cor branca, para colocar em prática o plano. Segundo a polícia, o homem havia planejado o crime por 2 meses e tentava recuperar um prejuízo de R$ 500 mil em investimentos. Fato que, segundo a investigação, foi a principal motivação do crime.

Ameaça de bomba

Moradores do Centro de Ponta Grossa amanheceram, na quarta-feira (29), com um mistério e apreensivos. Por volta de 6h, a Rua Júlio de Castilho estava bloqueada por viaturas da Polícia Militar. O motivo: um funcionário do colégio particular notou, ao chegar no local, um artefato de cerca de 50 centímetros com a mensagem “Chame a Polícia. Não abra”.

A ameaça de bomba mobilizou os agentes de segurança de toda a região. O esquadrão antibombas, de Curitiba, chegou até o colégio por volta das 12h. No período da manhã, o trânsito no Centro chegou a ser afetado pelo cerco policial. Além disso, parte das aulas do colégio foram canceladas. Alunos do 1° ao 9° anos, além de estudantes do 1° ano do Ensino Médio, não puderam acessar o prédio do colégio devido à suspeita de bomba.

Já no início da tarde de quarta, o grupo especializado da polícia realizou duas explosões. A primeira teve como objetivo expor o material. Já a segunda foi para neutralização do simulacro. Ao checar o dispositivo, foi verificado que o pacote continha um celular, fios elétricos, bateria e sacos de areia.

Segundo pacote

Além do pacote que simulava uma bomba, o criminoso informou aos policiais que havia deixado, há cerca de um mês, uma caixa metálica no forro do banheiro masculino de uma clínica médica que pertence à família vítima da extorsão. Em cima do novo pacote, havia uma mensagem indicando que a verdadeira bomba estava no colégio particular.

Confissão do crime

Segundo o delegado Fernando e o Capitão Adriano, da Polícia Militar, o rapaz confessou o crime e disse que estava desesperado por ter perdido cerca de R$ 500 mil em investimentos de criptomoedas. O autor havia até criado uma chave em uma corretora e pedia a quantia de 150 Ethereum (ETH), considerada a segunda criptomoeda mais valorizada, em valor equivalente a cerca de R$ 1,7 milhão.

O homem, de 48 anos, foi preso em flagrante na Vila Marina e responderá pelo crime de extorsão, com pena de até 15 anos de reclusão. 

Detalhes do plano

De acordo com a polícia, o autor do crime não possui qualquer ligação com a família vítima da extorsão, nem mesmo com o colégio particular utilizado como parte do plano. Durante o depoimento, o criminoso afirmou ter escolhido as vítimas por se lembrar que estudou, em 1994, com um parente deles. Esta pessoa, segundo o autor do crime, fazia parte de uma família de alto poder aquisitivo na cidade e que, portanto, teriam condições de arcar com os valores suntuosos da extorsão.

A polícia também afirma que o criminoso era empresário e havia recém criado uma conta em um aplicativo de viagens urbanas para trabalhar como motorista. Ele utilizava um carro Renault Kwid, de cor branca, mas no dia em que colocou em prática o plano com o segundo artefato, dentro do colégio, usou “placas frias”, ou seja, de outro veículo.

O objetivo do empresário era de que o artefato da clínica médica fosse encontrado por primeiro, para gerar ainda mais temor nas vítimas. Além das duas bombas falsas, o homem exigia o pagamento na chave da criptomoeda até o dia 15 de maio. 

Se o acordo não fosse cumprido, o criminoso colocaria em ação a fase 2 do plano, onde ele próprio informaria para a imprensa sobre outro artefato no colégio. No entanto, segundo o Capitão Adriano, da PMPR, nada de suspeito foi localizado na instituição de ensino após buscas na quarta-feira (29).

Furto de placa

Segundo a investigação, durante a implantação da falsa bomba no colégio, o autor do crime teria utilizado uma placa de outro veículo. Em depoimento, o empresário disse que furtou, no dia 7 de abril, uma placa de um GM Ônix nas proximidades do Restaurante Popular, no Centro de Ponta Grossa.

Imagens do serviço de inteligência da polícia flagraram o criminoso com a placa real do veículo às 23h30 do dia 28, uma noite antes da falsa bomba ter sido colocada dentro do colégio. Já às 4h30 do dia seguinte, o veículo Renault Kwid foi novamente identificado, desta vez com a placa furtada.

Além da adulteração no veículo, o empresário também havia descartado as roupas utilizadas na manhã de quarta, e havia comprado um dispositivo luminoso para evitar ser parado pela polícia na madrugada. 

Busca pelo criminoso 

O Capitão Adriano, da Polícia Militar, deu detalhes sobre a procura pelo criminoso por meio das câmeras de segurança do colégio e em diversos pontos da cidade, desde o horário em que a falsa bomba foi colocada. 

O acompanhamento do veículo foi feito pela Rua Afonso Celso, em Uvaranas. Em dado momento, os policiais observaram um veículo com as características encontradas nas câmeras de segurança do colégio, mas desta vez com outra placa. Além disso, ao ser notado, o condutor do automóvel demonstrou nervosismo. 

Por meio de um sistema, a polícia averiguou que a placa correspondia a um endereço cadastrado a poucas quadras de onde estavam. No local, o motorista do Kwid foi abordado e, após evidências mostradas pelos oficiais, confessou ser o autor do crime.

“Minha casa caiu”

De acordo com informações do delegado Fernando Vieira, da PCPR, o autor do crime prestou depoimento por 28 minutos e se mostrou arrependido do que fez. “Sensação de que minha casa caiu”, teria dito o empresário de 48 anos.

O homem, que trabalhava como motorista de aplicativo, é casado e tem filho pequeno. Além de não ter passagens pela polícia, possui formação acadêmica, já teve vários imóveis, carros de luxo e realizou viagens para o exterior. Ainda de acordo com o delegado da PCPR, o criminoso não chegou a detalhar como veio a perder R$ 500 mil em investimentos.

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