
A adoção de terraços em áreas agrícolas pode reduzir a perda de solo em até 99% e de água em 80%, segundo pesquisa da Rede Paranaense de Agropesquisa realizada no Norte do Paraná. O estudo, conduzido entre 2018 e 2024 na região de Cambé, avaliou lavouras com rotação de soja no verão e milho na segunda safra.
Para medir os impactos, pesquisadores utilizaram megaparcelas experimentais equipadas com sistemas de monitoramento do escoamento superficial e da vazão em microbacias. Os dados permitiram quantificar perdas de solo, água e nutrientes durante eventos de chuva intensa.
Em um episódio registrado em novembro de 2024, quando choveu 96 mm em cinco dias, sendo 53,7 mm em apenas 40 minutos, a diferença foi significativa. Áreas com terraços perderam cerca de 47,7 kg de solo por megaparcela, com vazão máxima de 61,3 L/s. Já nas áreas sem a prática, a perda chegou a 26,5 toneladas por megaparcela, com vazão de 320 L/s. Em termos por hectare, isso representa cerca de 18 kg de solo perdido com terraços, contra 10 toneladas sem a técnica.
Além de reduzir a erosão, o uso de terraços também impacta diretamente nos custos de produção. Outra pesquisa, realizada em Londrina entre 2019 e 2022, mostrou que as perdas de nutrientes por erosão equivaleram a US$ 282 por hectare em áreas sem terraços, contra apenas US$ 32 por hectare nas áreas com a prática.
A legislação paranaense já exige o uso de terraços em áreas agrícolas desde 1984. Produtores que não adotam a técnica e causam danos ambientais podem ser autuados. Especialistas reforçam que, além de cumprir a lei, a prática evita prejuízos econômicos, como a perda de fertilizantes levados pela enxurrada.
Os pesquisadores destacam, no entanto, que os terraços devem ser combinados com outras estratégias conservacionistas, como plantio direto, rotação de culturas, plantio em nível e manutenção da palhada.
Outro ponto de alerta é o tempo de formação do solo: um centímetro pode levar mais de 400 anos para se formar naturalmente, mas pode ser perdido em um único evento de chuva intensa. Nutrientes essenciais como nitrogênio, fósforo e potássio também são carregados pela erosão, comprometendo a produtividade das lavouras.
Para apoiar os produtores, há oferta de capacitação gratuita em manejo e conservação do solo, com foco em práticas sustentáveis e aumento da eficiência produtiva. (Com assessorias)
