Quilombolas instalam porteira e fecham estrada no Paraná


Por politica

Foto: Divulgação Comunidade Quilombola

Foto: Divulgação Comunidade Quilombola

Moradores de uma comunidade quilombola fecharam uma estada rural para fiscalizar os usuários da via e permitir ou não a passagem. O caso foi denunciado na tarde desta quarta-feira (8) à Polícia Militar.

Segundo o relatório, a situação aconteceu em Doutor Ulysses, região do Vale do Ribeira, no Paraná, a 160 quilômetros de Ponta Grossa. De acordo com a PM, a denúncia foi feita por um usuário da estrada. Ele contou que os motoristas que trafegam na região do Quilombo Gramadinho, da localidade do Vazeão, são obrigados a parar em frente à porteira erguida pelos moradores da comunidade e só são liberados para depois de serem identificados e ter o carro revistado. Os quilombolas procuram armas dentro dos veículos abordados, segundo informou a vítima à PM. O homem relatou ainda que à noite pessoas armadas fazem a guarda da porteira.

Segurança dos moradores

Ao chegar ao local, os policiais confirmaram a existência do portão bloqueando a estrada e fechado com corrente e cadeado. O morador da comunidade que estava no momento, de acordo com a PM, se negou a abrir a porteira aos policiais e chamou seu encarregado. Em seguida apareceu para atender os policiais um homem que disse ser o presidente da comunidade quilombola e justificou o fechamento da estrada para garantir a segurança dos moradores.

Depois de muita conversa, segundo os policiais, o homem abriu a porteira, mas afirmou que não iria retirá-la. Além disso, não permitiu a entrada no quilombo alegando ser um território de competência federal e que, portanto, somente a PF poderia adentrar.

Segundo apurou a reportagem, mês passado o quilombo teria sido alvo de incêndio criminoso. Por sorte, a chuva que caiu logo em seguida acabou com os focos.

“Desde o dia 06/11/24 a comunidade do Varzeão enfrenta uma luta contra madeireiros da região que ameaçam a comunidade com armamentos pesados, mas a comunidade reagiu e resistiu com êxito na defesa do território”, disse Juventino Rodrigues de Castro, Presidente do Quilombo Varzeão, à reportagem do Diário dos Campos. A reportagem também solicitou maiores informações ao Governo do Estado, prefeitura de Doutor Ulysses e Polícia Federal, mas não obteve retorno.

Outras organizações*

A líder quilombola em Gramadinho, Laura Rosa de Lima, informou ao Diário dos Campos que o fechamento das estradas não foi consenso entre as comunidades existentes na região.

“No território Varzeão existem quatro organizações. Então, não são os quilombolas que fecharam estradas, mas apenas uma dessas organizações. Quanto ao incêndio mencionado, ele foi causado por ‘invasores’ no Gramadinho. O incêndio não é no Varzeão”, esclareceu.

Conforme explicou, o território Varzeão é composto por quatro organizações e dois núcleos. Existe o bairro Varzeão dentro do território Varzeão e o bairro Gramadinho, também dentro do território Varzeão. “É importante classificar que somente associados do Varzeão estão fazendo esse movimento. Não se pode generalizar todos os quilombolas de Doutor Ulysses”, destacou.

Segundo Laura, o movimento acontece dentro do território Varzeão, sem o consentimento de todos os quilombolas. Cerca de um terço deles apoia a realização. “Os quilombolas de Gramadinho, Pocinhos e João Alves de Souza jamais iriam fechar uma via municipal”, diz.

*Texto alterado para inclusão de informações: a divisão organizacional da comunidade quilombola e diferentes linhas de atuação, conforme relato de Laura Rosa de Lima

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