
Uma iniciativa surgida em Ponta Grossa está lançando um novo olhar sobre a arquitetura popular do litoral paranaense. Com foco nas fachadas ornamentadas com platibandas — elementos decorativos que marcam a parte superior de construções históricas — o projeto “Fachadas e Platibandas – Outros Olhares para o Patrimônio” começou a documentar, neste mês, os traços arquitetônicos de Morretes, cidade escolhida como ponto de partida. A proposta é valorizar o patrimônio edificado de forma sensível, acessível e educativa, revelando a identidade visual de cidades que muitas vezes passam despercebidas nos grandes circuitos de preservação.
Arquitetura e educação
Financiado pela Lei Paulo Gustavo, o projeto é realizado por uma equipe de pesquisadores e artistas que unem fotografia, arquitetura e ações educativas para registrar e divulgar a riqueza das construções de Morretes, Antonina e Guaraqueçaba. A primeira etapa do trabalho contou com registros fotográficos da artista Marcela Bettega, que percorreu as ruas de Morretes em busca de fachadas que contam histórias silenciosas sobre o tempo, o uso e a cultura local.
Inspirados por livro
A proposta se inspira no livro “Pinturas e Platibandas”, da fotógrafa Anna Mariani, e aposta na fotografia como ferramenta de preservação e expressão. “Com o registro conseguimos ‘congelar’ a mensagem que o edifício nos passa, mostrando o seu contexto na dinâmica social do território e tornando memorável o que pode ser passageiro”, explica a arquiteta Luiza Dittert, integrante da equipe.
Exposição fotográfica
Além do inventário fotográfico digital com imagens georreferenciadas, o projeto prevê uma exposição física com 21 fotografias — sete de cada cidade — que serão doadas a órgãos públicos locais. A proposta também inclui ações de acessibilidade, como exposições táteis, audiolivro com a transcrição do inventário e formações para equipes municipais, em parceria com a APADEVI (Associação de Pais e Amigos do Deficiente Visual).
Patrimônio cultural
A curadora Adriana Alves destaca que o projeto busca ampliar a noção de patrimônio cultural: “Por muito tempo, a valorização dos bens culturais esteve concentrada em grandes feitos e monumentos. O patrimônio também está presente no cotidiano, nas fachadas que compõem a paisagem urbana e refletem a riqueza da arquitetura popular brasileira.”
21 mil pessoas
A artista visual Rute Yumie, que criou a identidade visual do projeto, já atuou como curadora de um inventário semelhante em Ponta Grossa, em 2024. “Acompanhei a divulgação dos resultados e ali percebi que outras pessoas também tiveram seu olhar modificado”, conta. A expectativa é que o novo projeto alcance diretamente mais de 21 mil pessoas, incluindo estudantes, moradores e pessoas com deficiência visual.
Apoiadores
Com produção da Capella – Soluções para Cultura e Patrimônio, o projeto conta com apoio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Museu de Ciências Naturais (MCN), Inspire Projetos Criativos e Estratégia Projetos Criativos. (com assessorias)
