Fiep considera irresponsável aprovação da redução da jornada na Câmara dos Deputados

Entidade manifesta indignação com avanço da proposta e defende maior debate no Congresso, com análise técnica dos impactos e discussão de medidas compensatórias


Por Redação Diário dos Campos
Câmara dos Deputados após votação do fim da escala 6x1

Texto da proposta foi aprovado pela Comissão Especial e em plenário nesta quarta (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

Câmara dos Deputados após votação do fim da escala 6x1
Texto da proposta foi aprovado pela Comissão Especial e em plenário nesta quarta (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)

A Federação das Indústrias do Paraná (Fiep) manifesta indignação com a aprovação, pela Câmara dos Deputados, na última semana, da proposta de redução da jornada de trabalho. Para a entidade, a medida avança de forma açodada, sem diálogo adequado com o setor produtivo e sem considerar, de maneira responsável, os impactos econômicos e sociais já apontados por estudos técnicos apresentados por entidades empresariais.

Com o texto aprovado, o Brasil pode sofrer, já em 2027, uma queda de 1,9% em seu PIB, com a demissão de mais de 1,3 milhão de empregados. Os dados fazem parte de um estudo realizado pela própria Fiep, em conjunto com a Tendências Consultoria.

A Federação alerta que a redução compulsória da jornada, sem ganho correspondente de produtividade e sem medidas compensatórias claras, tende a elevar custos operacionais, reduzir a competitividade das empresas e pressionar inclusive a geração de empregos formais. Os impactos serão ainda mais severos para a indústria, especialmente em segmentos intensivos em mão de obra, com operação contínua e margens reduzidas.

A Fiep também entende que uma transição de apenas um ano para a redução da jornada de trabalho, conforme previsto no texto aprovado, é absolutamente insuficiente para que os diferentes setores produtivos consigam se reorganizar e se adaptar de forma responsável a uma mudança tão impactante.

A entidade reforça, ainda, que uma mudança uniforme desconsidera a diversidade dos setores produtivos brasileiros. Por isso, defende que ajustes relacionados à jornada e às escalas de trabalho sejam tratados prioritariamente por meio da negociação coletiva, instrumento mais adequado para respeitar as particularidades de cada atividade econômica, garantindo flexibilidade, segurança jurídica e equilíbrio nas relações de trabalho.

Diante desse cenário, a Federação espera que o Senado Federal rejeite a proposta nos moldes atuais ou, ao menos, que se garanta uma transição responsável, de no mínimo 4 anos, para redução até 40 horas semanais. Para a Fiep, o Brasil precisa de políticas que fortaleçam produtividade, competitividade e segurança para investir – e não de decisões tomadas visando obtenção de ganhos eleitorais, sem responsabilidade e sem qualquer compromisso com o futuro do país.

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