
Entidades que integram uma câmara técnica da saúde em Ponta Grossa estão em busca de soluções para os problemas enfrentados na gestão de hospitais filantrópicos, como a Santa Casa e o Bom Jesus. Trata-se de uma realidade presente em diversos hospitais filantrópicos brasileiros. Na última quarta-feira (17), o Diário dos Campos entrevistou os diretores de Saúde e de Captação da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), Dr. Mário Montemór Netto e Nelson Canabarro.
Modelos de gestão de hospitais
Canabarro explicou sobre os modelos de gestão de hospitais: “Temos basicamente três modelos: 100% público, como o Regional, custeado pelo Governo. Esses não vão ter déficit ou superávit por conta do modelo de financiamento; na outra extremidade, os hospitais particulares, que vivem dos convênios e serviços particulares, mas não atendem pelo SUS; e no meio disso tudo temos os filantrópicos, como a Santa Casa e o Bom Jesus de Ponta Grossa, que não visam o lucro e precisam ter um selo chamado CEBAS (Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social)”. “Um dos itens exigido pelo selo é ter pelo menos 60% do volume de atendimento para o SUS. Entre as vantagens de ser filantrópico, está a imunidade aos impostos”, acrescentou.
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Defasagem da tabela SUS
Durante a entrevista, eles explicaram as dificuldades ocasionadas pela defasagem da tabela SUS. “Como a tabela SUS há mais de vinte anos ela não é atualizada, acaba que os serviços prestados para o SUS geram, a cada a cada evento, um problema financeiro porque há uma defasagem pro custo atual dos procedimentos”, reforçou Canabarro.
“A defasagem que existe vai de 600% até 17.000%. Uma consulta médica do SUS é R$ 10, se você imaginar o valor básico aí de uma consulta, tem que pagar pelo menos uns R$ 70 para um colega médico trabalhar de maneira digna”, detalhou Montemór Netto.
Projeto semelhante ao ‘SUS Paulista’
As medidas para solucionar o problema dos hospitais filantrópicos de PG ainda estão no campo das ideias. Contudo, Montemór Netto e Canabarro detalharam ao DC uma ideia semelhante ao ‘SUS Paulista’, enviada ao governador Ratinho Junior. “Em cada procedimento feito num hospital filantrópico, o governo de SP faz uma complementação da tabela SUS. Não é isso que deveria acontecer na prática, mas o governo entendeu o seguinte: se as estruturas filantrópicas não conseguirem mais funcionar, o custo para que o próprio governo assuma e oferte esse serviço para a população ia ser insustentável”, detalhou Canabarro.
“O Paraná tem condições para fazer o mesmo”, complementou Montemór Netto.
Os diretores também reforçaram a necessidade de enfrentar e buscar soluções para esses problemas antes das eleições deste ano, uma vez que o apoio dos representantes e dos poderes do Estado é fundamental para solucionar isso tudo e evitar a quebra dos hospitais filantrópicos.
União de entidades
Montemór Netto e Canabarro detalham que, em Ponta Grossa, o assunto tem sido discutido em uma câmara técnica de saúde, que reúne entidades como Unimed, Hospital Regional, Santa Casa, sob a guarda do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social de PG.
