Detran quer acabar com “fraude do hodômetro” no Paraná

O Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR), em parceria com o Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), analisa um projeto-piloto para criar o Passaporte Veicular Digital. A iniciativa inédita no Brasil promete transformar veículos em ativos digitais. A proposta é registrar cada automóvel em blockchain.
As inscrições para participar do projeto se encerraram dia 23, sem custo para os proprietários. Conforme relatado pelo Detran-PR para o Diário dos Campos, cerca de 1,1 mil proprietários de veículos se cadastraram.
O sistema funciona por meio de um token único vinculado ao chassi, que reúne dados de fábrica, histórico de revisões, quilometragem, seguros, financiamentos, ocorrências e transferências. A tecnologia blockchain, base do projeto, é comparada a um livro de registros eletrônico que não pode ser alterado indevidamente, reduzindo fraudes como a adulteração de hodômetros — prática comum no mercado de usados.
O Passaporte Veicular Digital será acessível pelo site e aplicativo do Detran-PR a partir de 2 de março, por um período inicial de 60 dias. O projeto-piloto durará 120 dias e será acompanhado por um Comitê Gestor formado por equipes técnicas das duas instituições, que se reunirá quinzenalmente para validar marcos e entregas.
Entre os benefícios previstos estão:
- maior confiança na compra e venda de veículos usados;
- valorização de automóveis com manutenção regular e histórico limpo;
- redução de burocracia em transferências de propriedade;
- segurança para bancos e seguradoras na análise de crédito e cálculo de apólices.
Hodômetro sem fraude
No filme Ferris Bueller’s Day Off (Curtindo a Vida Adoidado), sucesso nos anos 1980 que ilustra esta matéria, o personagem Cameron tenta alterar o hodômetro do veículo do pai dando marcha à ré. Se já não funcionava bem antes, agora deve ser ainda mais difícil. O projeto deve impactar diretamente o mercado de seminovos, tornando a fraude do hodômetro – a alteração do registro de quilometragem do veículo – praticamente inviável e aumentando a transparência nas negociações.
A longo prazo, a meta é implantar o sistema de forma integral até o fim de 2026 e incluir toda a frota estadual em cinco anos, consolidando o Paraná como pioneiro na digitalização da identidade veicular. (com informações da AEN)

