05 de junho de 2026

Nós usamos cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência no portal e personalizar a publicidade exibida. Ao continuar navegando, você concorda com este monitoramento. Leia mais na nossa Política de privacidade.

Bonecos de pelúcia são motivo de discórdia em comércio do PR


Por Cícero Goytacaz Publicado 07/08/2025 às 22h28 Atualizado 25/02/2026 às 16h00
Ouvir: 00:00
Foto ilustrativa da recomendação conjunta do MPPR e da Defensoria Pública do Estado do Paraná, sobre a interrupção da campanha de selos para aquisição de pelúcias em rede de supermercados
Recomendação foi conjunta entre o Ministério Público e a Defensoria Pública do Estado do Paraná. Foto: Divulgação/MPPR

O Ministério Público do Paraná e a Defensoria Pública do Estado recomendaram, nesta quinta-feira (7), a uma rede de supermercados com atuação em municípios do Paraná e de São Paulo a imediata interrupção de uma “campanha de selos para aquisição de bonecos de pelúcia”. O documento solicita “a substituição destes por produtos destinados ao público adulto, sem prejuízo aos consumidores, e sem prejuízo de eventual venda direta desses brinquedos nos estabelecimentos da rede de forma não abusiva”. A ação do MPPR foi por meio das Promotorias de Justiça da Infância e Juventude de Curitiba (1ª e 2ª), de Toledo e de Cascavel e da Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Curitiba.

A recomendação recebida pela rede de supermercados considera o forte apelo infantil dos personagens representados pelos bonecos para induzir ao consumo e solicita também a imediata interrupção da veiculação de todas as propagandas relacionadas à campanha de troca de selinhos pelas pelúcias em todas as mídias (rádio, jornais, televisão, sessões de cinema, internet, redes sociais, etc.) e também dentro dos estabelecimentos da rede de supermercados.

Segundo o documento, em caso de venda direta das pelúcia nas lojas da rede, pretende-se que o estabelecimento também se abstenha de usar quaisquer expedientes de publicidade abusiva ao público infantil (sem estratégias ilícitas, inclusive a venda casada). O MPPR e a Defensoria concederam prazo de 72 horas para que a empresa preste informações escritas sobre o atendimento ou não da recomendação, ressaltando que o não cumprimento injustificado poderá levar à adoção das medidas judiciais e/ou extrajudiciais cabíveis para a defesa dos direitos das crianças.

Justificativa

A recomendação é embasada em procedimento administrativo instaurado pela 1ª Promotoria de Justiça da Infância e Juventude de Curitiba, no qual foi apurado que a rede de supermercados iniciou campanha publicitária de venda de pelúcias de personagens infantis mediante a acumulação de selos decorrentes de compras: a cada R$ 25,00 gastos nas lojas da rede, ganha-se um selo, e com 60 selos mais R$ 19,90 adquire-se um dos bonecos de pelúcia, tendo como produtos aceleradores para mais aquisição de selos alimentos ultraprocessados e com alto índice de açúcar.

Ao fazerem a recomendação, Ministério Pública e Defensoria consideram que a campanha afronta o Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/90), que proíbe em seu artigo 37, parágrafo 2º, toda publicidade enganosa ou abusiva que, entre outras coisas, aproveite-se da deficiência de julgamento e experiência da criança. Também fere a Resolução 163/2014 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, que considera abusivas promoções com distribuição de prêmios ou brindes colecionáveis com apelos ao público infantil. Além disso, MPPR e Defensoria citam que o Superior Tribunal de Justiça reconheceu ilicitude e abusividade de publicidade indireta para crianças de produtos infantis mediante venda direta para adultos em contexto de marketing que usa ou manipula o universo lúdico infantil.

O documento ainda sustenta que a campanha não está adequada ao Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária, que condena publicidade indireta contratada que empregue crianças, elementos do universo infantil ou outros artifícios com a deliberada finalidade de captar a atenção desse público específico, qualquer que seja o veículo utilizado. Por fim, a recomendação levou em conta que as pelúcias da campanha estão em alta na mídia por causa das propagandas sobre o lançamento de um novo filme com tais personagens. (Informações: Assessorias)

Participe do grupo e receba as principais notícias da sua região na palma da sua mão.

Entre no grupo Ao entrar você está ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.
Cícero Goytacaz
Cícero Goytacaz

Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa em 2022, repórter de Política do Diário dos Campos. Tem experiência com redação de jornal impresso, sites de notícias, rádio esportivo e transmissões de futebol. Atuou como repórter setorista do Operário Ferroviário Esporte Clube.