Tecnologia moderna ajuda a descobrir prédio subterrâneo no Egito


Por Redação Diário dos Campos
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© Foto / Abouarab, M.A.R., 2026, Acta Geophys

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© Foto / Abouarab, M.A.R., 2026, Acta Geophys

Na antiga cidade de Buto, no delta do Nilo, no Egito, usando técnicas de escaneamento do solo, a uma profundidade de cinco metros, os arqueólogos descobriram uma estrutura egípcia antiga, informa o portal Arkeonews.

Segundo a publicação, o interesse não se concentra tanto nos achados, mas na organização do processo de pesquisa: antes de iniciar as escavações pontuais, os arqueólogos estudaram minuciosamente a área e elaboraram um mapa geofísico das estruturas subterrâneas.

Buto, conhecida hoje como Tell el-Fara’in, é um assentamento de múltiplas camadas históricas no qual novas estruturas foram construídas sobre as mais antigas ao longo de cinco milênios, criando uma paisagem densa e estratificada, onde estágios inteiros da história estão escondidos sob ocupações posteriores.

Comparação de uma das imagens ERT 2D com uma grande parede de tijolos de barro parcialmente exposta, Egito | © Foto / Abouarab, M.A.R., 2026, Acta Geophys

Dada a proximidade das águas subterrâneas e a alta umidade do solo do delta do Nilo, realizar escavações às cegas seria um erro. Portanto, em vez de escavar sem planejamento, os pesquisadores decidiram usar tecnologias modernas para analisar o solo.

Utilizando o sistema de radar Sentinel-1 (SAR), os arqueólogos escanearam o solo e, a uma profundidade de cerca de três a cinco metros, descobriram uma estrutura arquitetônica antiga do final do período egípcio.

“Para entender o que está subterrâneo, a equipe combinou dados de satélite com tomografia de resistividade elétrica, um método baseado em terra que mede a resposta de vários materiais à corrente elétrica”, diz a publicação.

Geometria do local e esquema do levantamento geofísico, Buto, Egito | © Foto / Abouarab, M.A.R., 2026, Acta Geophys

Os dados indicaram uma estrutura de tijolos de barro medindo aproximadamente 25 por 20 metros, construída sobre uma fundação preparada artificialmente, o que evidencia planejamento deliberado e soluções de engenharia.

Após a análise, os arqueólogos realizaram escavações pontuais e encontraram não apenas os restos de um edifício antigo, com aproximadamente 2.600 anos, mas também inúmeros artefatos religiosos: amuletos representando divindades egípcias como Ísis, Hórus, Taweret e Bes, além de imagens de Wadjet, a deusa cobra.

Mapa tridimensional da área de Kom C, mostrando toda a região pesquisada pelo método de tomografia de resistividade elétrica, Buto, Egito | © Foto / Abouarab, M.A.R., 2026, Acta Geophys

“Em conjunto, esses objetos indicam fortemente que a estrutura desempenhava uma função religiosa ou cerimonial, talvez fosse um templo secundário, a morada de sacerdotes ou um complexo funerário”, enfatizaram os arqueólogos.

Os arqueólogos destacaram que não são tanto os achados que são importantes neste estudo, mas o método utilizado durante a pesquisa.

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Graças à combinação de sensoriamento remoto por satélite e técnicas geofísicas, os arqueólogos agora podem mapear paisagens enterradas inteiras antes mesmo do início da escavação. Isso permite escavações mais precisas e direcionadas, reduzindo custos e impactos ambientais.

(Sputnik Brasil)

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