
O Tyrannosaurus rex (T-Rex) é mundialmente famoso por duas características contraditórias: um dos predadores mais temíveis e imponentes que já caminharam sobre a Terra e, ao mesmo tempo, seus braços minúsculos que frequentemente parecem uma piada evolutiva. No entanto, o mistério por trás dessa anatomia peculiar está perto de ser desvendado.
Conforme publicado pelo portal UOL, um novo estudo liderado por pesquisadores da University College London (UCL) e da Universidade de Cambridge trouxe novas evidências para uma hipótese há muito tempo debatida: esses superpredadores passaram a depender drasticamente da força de suas mandíbulas para capturar e subjugar suas presas, tornando seus membros anteriores menos relevantes.
De acordo com informações divulgadas pela revista Superinteressante, o T-Rex contava com um crânio imenso de um metro e meio de comprimento e sessenta dentes poderosos, capazes de rasgar carne e quebrar ossos com facilidade. Diante de um aparato anatômico tão letal na cabeça, a necessidade de braços funcionais para a caça foi progressivamente reduzida.
Os pesquisadores britânicos analisaram a anatomia de dezenas de espécies de terópodes (classe de dinossauros bípedes, geralmente carnívoso), identificando que o encurtamento dos braços foi uma solução evolutiva recorrente.
Surgimento independente
Esse fenômeno surgiu de forma independente em pelo menos cinco linhagens distintas: tiranossauros, abelissaurídeos, carcharodontossauros, megalossauros e ceratossauros. Mesmo habitando épocas e regiões geográficas muito distantes, todos esses grupos convergiram para membros anteriores notavelmente reduzidos, ainda que por processos anatômicos diversos.
Um dos pontos mais reveladores da pesquisa é que o crescimento corporal isolado não explica essa redução. Segundo a Superinteressante, a ligação mais forte e direta para o encurtamento dos membros está associada à robustez do crânio, e não ao tamanho do animal em si.
Para provar essa correlação, os cientistas desenvolveram um método inovador para avaliar a resistência craniana a partir de fatores como o formato da cabeça, a força estimada da mordida e a resistência das articulações ósseas.
O T-Rex atingiu a pontuação máxima de robustez nesse modelo, seguido de perto pelo Tyrannotitan, que viveu na Argentina 30 milhões de anos antes. Contudo, o caso do Majungasaurus, um predador de Madagascar de 70 milhões de anos atrás, é o que melhor solidifica a tese.
Segundo a pesquisa, o Majungasaurus pesava cerca de 1,6 tonelada – apenas um quinto do peso de um T-Rex. Mas exibia o exato mesmo padrão de crânio extremamente robusto acompanhado de braços diminutos. (Com informações dos portais UOL e Superinteressante)
