Pesquisa em cavernas prova que pintores da Idade do Gelo seguiam lógica visual estruturada

Um novo estudo revela que os antigos pintores rupestres da região basca seguiam um projeto visual deliberado ao criar suas obras de arte entre 16 mil e 14 mil anos atrás, escreve a revista Archaeology News.
A revista destaca que as pinturas foram organizadas de acordo com princípios comuns, e não de forma aleatória, indicando um sistema gráfico coerente com uma ordem estrutural deliberada.
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“Bisões, cavalos e cabras-monteses constituíam o centro de muitas composições. Outros animais apareciam ao redor deles em papéis coadjuvantes. Os bisões frequentemente ocupavam a posição mais central dentro das redes, embora os cavalos e as cabras-monteses também fizessem parte de um grupo estável que moldava o arranjo geral”, ressalta a publicação.
Segundo a reportagem, mais de 500 figuras pintadas em nove cavernas bascas foram analisadas por meio de análise de redes e estatística para examinar a coocorrência, o posicionamento e a orientação direcional.

A direcionalidade seguia regras consistentes: os cavalos normalmente estavam voltados para a direita, enquanto os bisões e a maioria dos outros animais, para a esquerda, com apenas raras exceções.

Esse padrão se repetia em várias cavernas. Em vez de atribuir um significado simbólico, os pesquisadores trataram a arte como um sistema visual e confirmaram sua ordem interna por meio de vários métodos analíticos, incluindo redes e árvores de expansão mínima, observa o material.

Os resultados estão alinhados com observações arqueológicas anteriores, mas contradizem a explicação da lateralidade direita, já que os cavalos, as figuras mais comuns, geralmente estão voltados para a direita. Em vez disso, o estudo aponta para um código gráfico compartilhado, cujo significado se perdeu com o tempo.
Ao disponibilizarem publicamente seus dados e métodos, os autores possibilitam comparações entre regiões e oferecem uma estrutura aplicável a outros sistemas simbólicos antigos, como escritas e inscrições, demonstrando que a arte rupestre da Idade do Gelo, embora de significado enigmático, seguia uma lógica visual clara e estruturada, conclui a reportagem.
