
A primeira encíclica do Papa Leão XIV chamou a atenção de internautas por uma curiosidade inédita. Publicada nessa segunda-feira (25), a carta cita o escritor John Ronald Reuel Tolkien (J.R.R. Tolkien), autor de O Senhor dos Anéis e apresenta uma fala conhecida do personagem Gandalf.
Nesta terça (26), as redes sociais repercutiram a citação inédita do Pontífice. Foi a primeira vez que J.R.R. Tolkien, que era católico, apareceu diretamente em uma encíclica. O documento é um dos mais importantes da Igreja Católica.
A citação aparece no parágrafo 213 da encíclica intitulada Maginfica Humanitas:
John Ronald Reuel Tolkien, um escritor católico do século XX, através das palavras de um protagonista dum seu romance, descreveu assim a nossa responsabilidade: «Não nos compete dominar todas as marés do mundo, mas sim fazer o que nos for possível para ajudar os anos em que estamos inseridos, erradicando o mal nos campos que conhecemos para que quem viver depois possa ter terra limpa para amanhar» – Papa Leão XIV
Magnifica Humanitas
A primeira encíclica do pontificado de Leão XIV aborda a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial. Assinado em 15 de maio, o documento marca os 135 anos da encíclica Rerum novarum, de Leão XIII, considerada referência histórica da Doutrina Social da Igreja.
O documento também cita diversas outras referências da fé católica, como Santo Agostinho, São Tomás de Aquino, seus antecessores Bento XVI e Francisco, além de São Paulo VI e São João Paulo II.
Educação e formação humana na era digital
Entre os temas centrais do documento está o papel da educação diante das transformações tecnológicas. A encíclica destaca a necessidade de uma formação voltada ao pensamento crítico, ao discernimento ético, à responsabilidade social e à capacidade de diálogo em uma sociedade marcada pela automação e pelo uso crescente da inteligência artificial.
O texto também reforça a centralidade da escola como espaço de formação integral da pessoa humana e de busca pela verdade.
Inteligência artificial, ética e responsabilidade social
Ao tratar diretamente da inteligência artificial, o Papa Leão XIV defende a criação de critérios éticos, mecanismos de transparência e instrumentos de regulação para o desenvolvimento e utilização dessas tecnologias. O documento afirma que a tecnologia não pode ser considerada neutra, já que reflete escolhas humanas, interesses econômicos e modelos de sociedade.
A encíclica também aborda os impactos da automação sobre o mundo do trabalho e alerta para riscos de desemprego, precarização e ampliação das desigualdades sociais. O texto reafirma a importância de modelos econômicos centrados na dignidade da pessoa humana e no valor social do trabalho.
Outro ponto destacado pelo Papa é a necessidade de evitar que os benefícios tecnológicos permaneçam concentrados nas mãos de poucos grupos econômicos ou países, ampliando exclusões sociais e digitais.
“Ecologia da comunicação”
No campo da comunicação, o documento propõe uma “ecologia da comunicação”, baseada na responsabilidade, na transparência e na verificação das informações. O Papa menciona ainda a importância da formação crítica para o uso das tecnologias digitais e da proteção dos dados pessoais.
Paz, diálogo e cooperação internacional
A encíclica dedica ainda espaço aos impactos das novas tecnologias nos conflitos armados e nas relações internacionais. O Papa critica a corrida armamentista e o uso da inteligência artificial em contextos de guerra, defendendo o fortalecimento do diálogo, da diplomacia e da cooperação internacional.
Na conclusão da encíclica, o Papa convida os fiéis e todas as pessoas de boa vontade a viverem o desenvolvimento tecnológico sem perder de vista a centralidade da pessoa humana e da dignidade humana. (Com Assessorias)
Acesse AQUI a íntegra da encíclica Magnifica Humanitas do Papa Leão XIV.
