
A Bolívia atravessa uma severa crise política e social, com bloqueios de estradas em torno da capital, La Paz, que desafiam o governo de Rodrigo Paz, empossado há apenas seis meses. O estopim para a revolta popular foi a promulgação da Lei 1.720, uma legislação fundiária que autorizava a conversão de pequenas propriedades em médias para acesso a crédito.
Isso gerou temor de desintegração de terras indígenas e camponesas coletivas. Embora a lei tenha sido revogada no dia 12 de maio para tentar conter os ânimos, a pressão pela renúncia do presidente continua a crescer em meio a uma grave escassez de dólares e combustíveis.
Mineiros, professores e operários
Conforme informações reportadas pela Agência Brasil, a mobilização ganhou adesão de diversos setores, incluindo mineiros, professores e a Central Operária Boliviana (COB), que convocou uma greve geral por tempo indeterminado. Os bloqueios de estradas, que já duram mais de três semanas, causaram um sério desabastecimento em La Paz, impedindo a chegada de alimentos e recursos básicos à capital.
Ajuda humanitária
Nesse contexto, o governo brasileiro decidiu intervir com ajuda humanitária após um pedido direto de Rodrigo Paz ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O Brasil utilizará uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) para realizar o transporte interno de alimentos entre Santa Cruz de La Sierra e La Paz, visando minimizar os efeitos do cerco à capital. Em nota, a Presidência da República informou que Lula manifestou solidariedade ao povo boliviano e defendeu o respeito às instituições democráticas e o diálogo para superar as divergências.
A situação no país vizinho permanece tensa, com o governo boliviano acusando os manifestantes de tentarem destruir a democracia e de possuírem ligações com o narcotráfico. Enquanto isso, lideranças populares e o ex-presidente Evo Morales denunciam a repressão policial e acusam o governo de implementar uma agenda neoliberal que beneficia o agronegócio em detrimento dos pequenos produtores.
