Astrônomos descobrem superterra com densidade de chumbo


Por Redação Diário dos Campos

© Foto / Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Chris Smith (KRBwyle)

© Foto / Centro de Voos Espaciais Goddard da NASA/Chris Smith (KRBwyle)

Cientistas identificaram um exoplaneta rochoso como um dos mais densos já descobertos até hoje, contrastando e muito com exoplanetas extremamente gasosos de Kepler 51.

K2-360 b, um exoplaneta que acumula 7,7 Terras de massa em uma bola que tem apenas 1,6 vez o tamanho do nosso planeta, foi descoberto ainda em 2016, pela missão K2 da NASA em K2-360 — um sistema planetário localizado a aproximadamente 750 anos-luz da Terra.

O que os cientistas não contavam, no entanto, é que o exoplaneta viria a ser a superterra de período ultracurto (USP, na sigla em inglês) mais densa já conhecida de sua classe.

Superterras são conhecidas por terem uma massa maior que a do nosso planeta natal, mas significativamente menor que de outros gigantes gasosos. Ter um USP significa que um ano em K2-360 b é mais curto que um dia terrestre, neste caso, de 21 horas.

Tão denso quanto chumbo — com cerca de 11 gramas por centímetro cúbico — os cientistas especulam que K2-360 b pode ser apenas o núcleo restante de um gigante gasoso que voou muito perto de seu sol.

Concepção artística do sistema K2-360, mostrando a super-Terra ultradensa K2-360 b (vermelha) em sua órbita extremamente próxima ao redor de sua estrela semelhante ao Sol, com a companheira mais distante K2-360 c (azul) ao fundo. As temperaturas escaldantes em K2-360 b, que completa uma órbita em apenas 21 horas, provavelmente resultam em uma superfície derretida ou parcialmente derretida | © Foto / Astrobiology Center

Para tentar resolver o mistério, a equipe criou um modelo do interior da superterra, com base em observações do exoplaneta e de sua estrela hospedeira, e conseguiu concluir em um estudo publicado na Nature que o planeta provavelmente tem um grande núcleo de ferro que responde por cerca de 48% de sua massa.

Eles sugeriram ainda que ele pode realmente ser o núcleo morto de um mundo que já foi muito maior e residia mais longe da estrela. Com o tempo, ele migrou para dentro, onde a radiação intensa removeu os gases de sua atmosfera, deixando um pedaço sólido de rocha que provavelmente está coberto por oceanos de lava.

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Segundo os pesquisadores, foram encontradas pistas para esse cenário na oscilação da estrela hospedeira, e depois, K2-360 b não está sozinho no sistema – espreitando mais longe está um planeta muito maior, K2-360 c, com tamanho e densidadeprovavelmente semelhantes aos de Netuno. É possível que no futuro, alterações nas rotas planetárias possam ser observadas corroborando com as conclusões dos pesquisadores.

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