Arqueólogos encontram evidência de um santuário de 2.200 anos na Turquia


Por Redação Diário dos Campos
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© Foto / Arkeoloji Dergisi/Ali Ozkan

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© Foto / Arkeoloji Dergisi/Ali Ozkan

Um bloco de pedra vertical monolítico quebrado, encontrado perto de uma antiga estrada no oeste da Turquia, pode indicar a existência de um santuário rural dedicado a Cibele, a antiga Deusa Mãe da Anatólia.

O achado ocorreu em Cayagzi, no distrito de Kiraz, região onde novas evidências arqueológicas começam a revelar a importância religiosa e estratégica desse setor do Vale de Kucuk Menderes durante o período helenístico.

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A paisagem fértil do vale, que integrava a antiga Lídia (um antigo reino a oeste da atual Turquia) e conectava cidades como Éfeso, Hipaipa e Filadélfia, abriga um conjunto de descobertas analisadas pelo pesquisador Ali Ozkan: duas estruturas defensivas helenísticas, um túmulo do século II a.C. e a estela votiva de Cibele — uma placa de pedra erguida como oferenda religiosa.

Muralhas trapezoidais da fortificação de Karaburc | © Foto / Arkeoloji Dergisi/Ali Ozkan

Esses elementos sugerem que Kiraz não era uma zona periférica, mas parte de uma rede protegida e religiosamente ativa.

A estela foi identificada após uma operação de resgate em 2017, motivada por escavações ilegais. Encontrada perto de um túmulo danificado e de uma antiga rota, apresenta Cibele em pé, acompanhada por dois leões — um motivo típico do “tipo Éfeso”, comum na Anatólia Ocidental desde o período Clássico Tardio. A localização rural do objeto levanta a hipótese de um santuário a céu aberto dedicado à deusa.

A tumba helenística descoberta em Cayagzı, no distrito de Kiraz, em Izmir | © Foto / Arkeoloji Dergisi/Ali Ozkan

Cibele, associada a montanhas, fertilidade e proteção, era frequentemente cultuada em ambientes naturais, cavernas e nichos rochosos. A estela de Cayagzi se encaixa nesse padrão, possivelmente como uma oferenda modesta deixada por comunidades agrícolas que dependiam da proteção divina para suas atividades e deslocamentos.

Próximo à estela, arqueólogos documentaram uma tumba retangular do século II a.C., contendo restos humanos e cerâmicas, como unguentários fusiformes e um lagynos (vaso cerâmico típico do período helenístico usado principalmente para servir vinho) ligado à tradição de Pérgamo. Esses objetos revelam práticas funerárias locais e indicam circulação cultural e comercial entre centros helenísticos e comunidades rurais.

Uma estela votiva da Deusa Mãe, Cibele, com 2.200 anos, um túmulo helenístico e duas fortificações no distrito de Kiraz, em Izmir, revelam um santuário rural e uma rede viária estratégica na antiga Lídia | © Foto / Arkeoloji Dergisi/Ali Ozkan

As estruturas defensivas de Karaburc e Cayagzi, erguidas em pontos elevados com vista para rotas estratégicas, reforçam o caráter militarizado da região. Suas técnicas construtivas sugerem datas entre os séculos III e II a.C., período marcado por disputas entre reinos helenísticos pelo controle de terras férteis e vias de circulação.

A combinação de achados — estela votiva, tumba com cerâmica helenística e fortificações — revela uma paisagem onde religião, defesa e vida cotidiana estavam profundamente entrelaçadas. Kiraz funcionava como parte de um sistema que sustentava cidades maiores, garantindo proteção, mobilidade e práticas rituais.

As descobertas de Cayagzi e Karaburc oferecem um novo ponto de partida para compreender a Kiraz helenística. Futuras escavações poderão esclarecer a existência de um santuário de Cibele, a relação entre o túmulo e os assentamentos vizinhos e o papel das fortificações na rede militar da Anatólia Ocidental.

(Sputnik Brasil)

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