
As eleições municipais de 2020 são históricas para Ponta Grossa. Além de marcar a primeira vez que uma mulher será eleita prefeita do município – a disputa acontece entre Mabel Canto e Professora Elizabeth, que disputam o segundo turno da, que acontecerá no dia 29 de novembro, nas eleições deste ano também houve o maior número de mulheres eleitas para assumir o mandato na Câmara de Vereadores: serão três que assumem a partir de 2021. Josi Kieras – Josi Mais Coletivo (PSOL), Missionária Adriana Jamier (SD) e Joce Canto (PSC), algo também será inédito para a Câmara de PG.
Na atual legislatura, a Câmara conta com uma vereadora, a Professora Rose (DEM). Um detalhe que é preciso levar em conta é que a partir de 2021 a Câmara contará com 19 vereadores e não mais 23, como é atualmente. Isso significa que 15,78% das vagas no Legislativo na próxima legislatura serão ocupadas por mulheres.
Aos 51 anos, a professora Josiane Kieras assumirá a vaga de vereadora pelo PSOL – em mandato coletivo, que será exercido com outros três covereadores – Josi Mais Coletivo teve 1.294 votos. No entanto, a cadeira em plenário será ocupada por Josiane, professora há 25 anos, parte na rede privada e outra na rede pública. Josiane não é principiante em disputas eleitorais: ela concorreu em 2016 a vereadora e em 2018 a deputada estadual, todas pelo PSOL.
“Não vamos tolerar prática discriminatória, excludente, de tudo que envolve diversidade, e isso envolve questão de pautas feministas, pauta animal, LGBT, agroecologia. Vamos fazer um mandato que acolha os anseios da diversidade”. Segundo ela, estará à frente de projetos importantes voltados à mulher e que envolvam saúde, mercado de trabalho.
Aos 45 anos, Adriana Jamier da Silva trabalha como missionária há 24 anos; é pastora titular na Igreja do Evangelho Quadrangular, a Quadrangular Central. Missionária Adriana obteve 1.476 votos nas eleições do dia 15 de novembro, primeiro pleito que participou. “Defendo a bandeira da família, das crianças e queremos lutar por princípios cristãos. Entro nesta caminhada para unir forças pela cidade, pelo bem do povo e com a ajuda de Deus vamos fazer um bom trabalho”. A vereadora eleita também destaca que quer ser a voz das mulheres na Câmara. “Mulheres que precisam de oportunidade e serem valorizada. Acredito que a prioridade deve ser dar respostas à demanda da população”, frisa.
A publicitária e radialista Joce Canto (PSC), de 28 anos, disputou pela primeira vez a um cargo eletivo nas eleições municipais de 2020 e foi eleita com 3.394 votos. Irmã da candidata a prefeita Mabel Canto e filha do ex-prefeito e também radialista Jocelito Canto, Jocemeuri Corá Canto iniciou suas participações em rádio ainda bem nova. Segundo ela, a atuação na Câmara será baseada em pilares: saúde, educação, assistência social, mulheres, crianças/adolescentes.
“Vamos fiscalizar a saúde básica e saúde da mulher. Também quero atuar para fortalecer a assistência social no município com projetos efetivos. Na área da criança e adolescente, o trabalho será garantir seus direitos como prioridade absoluta. Na educação, quero dar voz aos funcionários. E, na área da mulher, quero apoiar a criação da Secretaria da Mulher, além de políticas públicas. ACom diferentes ‘bandeiras’, Câmara de PG terá três mulheres em 2021umentamos a representatividade feminina na Câmara, o que já é um grande avanço, mas podemos ir muito além”.
Histórico
Além de ter o maior número de mulheres eleitas, proporcionalmente, a próxima legislatura será a que terá a maior participação feminina. A primeira vereadora eleita para a Câmara de Ponta Grossa foi Cândida Mendes Brás, de 1951 a 1955. Depois, de 1989 a 1992, Sandra Mara Camargo Queiroz também ocupou mandato. Em 1993, Claudete Dallabona e Nassima Salum Ribas ocuparam cadeiras.
Em 1997, Selma Maria Schons e Ortencia da Rosa assumiram cadeiras. Em 2001, Selma Schons e Nassima Sallum Ribas ocuparam novamente duas cadeiras. No início de 2003, a vereadora Selma Schons, primeira suplente, assumiu uma cadeira na Câmara dos Deputados e a primeira suplente de vereadora, Alina de Almeida César, a substituiu na Câmara Municipal. Em todas estas legislaturas mencionadas, a Câmara era composta por 21 vereadores.
Em 2005, com 15 vereadores na Câmara, Ana Maria Branco de Holleben e Alina de Almeida César exerceram o cargo de vereadora, assim como em 2009. Duas mulheres na Câmara num total de 15 vereadores representava, 13,33% de representatividade feminina.
Em 2013, com 23 vereadores, Adélia Aparecida Souza e a Professora Ana Maria foram as vereadoras da legislatura; Ana Maria, no entanto não chegou a concluir o mandato.
Por fim, na legislatura que iniciou em 2017, ainda com 23 vereadores, Professora Rose é a única mulher a exercer o cargo durante os quatro anos; e, por um período de quase um mês, Francielle Stepenovski – a Léli, suplente de Valtão, também assumiu o cargo.
*Matéria atualizada em 23/11 para acréscimo de informação
