
Lílian Gomes- CRP 08/17889
Os pais se separam e como ficam os filhos? Eis um dilema. Filhos foram desejados e não podem se tornar objetos de barganha. Porém, percebemos que nem sempre os casais que se separam tomam esse cuidado. Na maioria dos casos, se estabelece um domínio de um dos cônjuges sobre o outro e a rivalidade e o ciúme se fazem presentes.
“A legislação prevê a guarda compartilhada, onde ambos os pais continuam responsáveis pela criação, na separação”. Nem sempre isso acontece…
Sabemos que a separação pode gerar impactos psicológicos marcantes nos filhos, que podem aparecer quando os filhos ainda são pequenos, bem como na vida adulta mostrar as consequências advindas da ruptura familiar. Essa última, gerando sofrimentos profundos que afetam a saúde mental.
“Crianças e adolescentes podem ter sentimentos de raiva ou ressentimento em relação aos pais” podemos até trazer para si mesmo “a culpa ou a causa” da separação, tendo sentimentos de insegurança, dificuldade de estabelecer vínculos afetivos saudáveis, com receio de perder ou esses se romperem.
Atitudes de esclarecimento, de comunicação acerca da separação de forma clara e adequada à idade dos filhos é tarefa obrigatória dos pais. “Explicar a decisão de forma simples, evitando detalhes que possam gerar confusão ou culpa nas crianças”, se faz imprescindível quando do fim do relacionamento.
“A forma como os pais se relacionam com os filhos e entre si interfere na maneira positiva ou negativa do filho enfrentar a separação”. Pais que se agridem, principalmente na presença dos filhos, podem gerar nos mesmos a reprodução desse comportamento e esses filhos se tornarem agressivos nos ambientes que frequentem. É comum, não só na família como no ambiente escolar.
Dialogar com clareza sobre a segurança emocional, reforçando que o amor e o apoio de ambos, sempre estarão presentes.
Também importante avaliar os momentos mais difíceis, geralmente iniciais, quando “os combinados” são difíceis de se estabelecer, os desgastes são grandes, e lidar com questões que envolvem consequências financeiras, sociais e emocionais.
Portanto, diálogo esclarecedor se faz necessário proporcionando espaço para esclarecer que afeto não desaparecerá, embora não haja mais a convivência no mesmo lugar.
Pais, cuidado com as alianças no sentido de “influenciar” e induzir os filhos “a ter que gostar” mais de quem está com a guarda!
Separação implica em mudanças e decisões que devem ser as que menos prejudiquem os envolvidos, facilitando o ajuste de todos.
“O fim da relação conjugal não significa abandono dos filhos e nem que essa situação obrigatoriamente traga problemas emocionais que não possam ser resolvidos”.
Filhos serão sempre filhos. Cabe aos pais deixar a circunstância da separação menos traumática proporcionando um relacionamento sadio e menos traumático.