Retirada de estacionamento no Centro de PG gera protesto


Por dmais

 

Fábio Matavelli
Trecho recebeu pintura da terceira faixa

 

A Prefeitura de Ponta Grossa está realizando a retirada dos estacionamentos da Rua Francisco Ribas e, nessa terça-feira (7), a Autarquia Municipal de Trânsito e Transporte (AMTT) realizava a pintura da terceira faixa. O objetivo é ampliar o fluxo de veículos em até 40%, minimizando o problema dos engarrafamentos, principalmente durante os horários de pico. No entanto, comerciantes e prestadores de serviço que atuam na região questionam os benefícios das alterações, e acreditam que a Prefeitura está decretando a morte do comércio na Francisco Ribas.

Os comerciantes do entorno lembram que, em outras ruas onde as vagas de estacionamento foram retiradas, diversos pontos de comércio fecharam, como é o caso da Rua Dr. Paula Xavier e da Rua do Rosário. O gerente da loja de materiais hidráulicos Ponta Master, Carlos Alberto de Almeida, relata que o estabelecimento está no local há 15 anos, mas agora receia qual será o comportamento da clientela. “Não tivemos nenhum contato prévio da Autarquia ou de entidades representativas como Acipg. Provavelmente teremos que pagar por um estacionamento terceirizado. Isso será ainda mais gasto, pra gente que já paga os impostos”, disse Almeida.

As alterações na Francisco Ribas ocorrem no trecho compreendido entre a Rua Saldanha Marinho e a Rua Barão do Cerro Azul. Segundo as placas recém-instaladas, o estacionamento continuará sendo permitido à noite, entre 20 horas e 7 horas, e aos sábados, das 7 horas às 14 horas.

O secretário municipal de Planejamento, Celso Sant’Ana, reconhece que não foram realizadas reuniões com os comerciantes. Houve apenas o anúncio, através dos meios de comunicação, sobre mudanças que seriam feitas. “A gente tenta preservar as vagas, mas tem situações que não é possível. E ali, no horário de pico, estava tendo muito acúmulo de veículos”, diz.

 

Inevitável

A sócia-gerente do Hotel São Marcos, Simone Horst, diz que não houve nenhuma consulta, sobre mudanças na via. “A Autarquia tem sido nula aqui quando é preciso fiscalizar motoristas que param diante de nossa garagem. Agora acreditamos que, com isso, em questão de meses, o hotel vai fechar as portas”, diz, se referindo ao estabelecimento que está nesse endereço há mais de 60 anos. O presidente da AMTT, Roberto Pelissari, acredita que a mudança não fará o hotel fechar. “Um hotel tão renomado e há tanto tempo no mercado, não acho que será afetado dessa forma. Mas nosso estudo técnico demonstrou que a terceira via era necessária”, comentou.

 

Acipg busca exceção

O presidente da Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (Acipg), Douglas Taques Fonseca, diz que foi solicitado à AMTT que proceda novos estudos, para permitir exceções à proibição de estacionar. “Por exemplo, no caso do hotel, deveria existir pelo menos a parada rápida, já que é somente para desembarque de passageiros. Mas, sabemos que, com o progresso, aumentou o volume de veículos e é preciso fazer mudanças, nas quais algumas pessoas saem prejudicadas. Estamos aguardando posicionamento da Autarquia”.

Em outros municípios, leis específicas garantem a existência de vagas de estacionamento diante de estabelecimentos hoteleiros. É o caso da Lei 11.575/2012, em Londrina.

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