“Ponta Grossa de briga e de incisivos exemplos”


Por Redação Diário dos Campos

Valfrido Piloto assim denominou Ponta Grossa quando da Revolução de 1930. Um dos mais prolíficos escritores paranistas com mais de 50 obras publicadas, conferiu esse honroso epíteto à cidade onde passou a infância. E assinala que “o ponta-grossense que negar fogo é porque não se embebeu daqueles horizontes irmãos da eternidade e não pulsou com os entonos já tantas vezes ali desafiando governos e outros fantasmas”.
Nossa cidade, não apenas na rebelião getulista como em outras do passado, funcionou como uma espécie de espuma amortecedora entre o Rio Grande do Sul e São Paulo; passagem obrigatória para as insurreições que vinham dos pampas e que precisavam do apoio da gente paranaense para conquistar a pauliceia e o poder central. Assim foi na Revolução Liberal, na guerra civil federalista e em outros embates ocorridos nas primeiras décadas do século 20.
Porém, no conflito de 1930, o seu papel foi mais acentuado. Seja porque centralizou os principais acontecimentos do Estado, seja porque se transformou em sede regional das forças que sustentaram o levante varguista. O próprio Getúlio, com milhares de gaúchos, aqui aportou e aqui ficou em sua marcha batida rumo ao palácio presidencial do Catete, no Rio de Janeiro. E aqui também recebeu os três militares que vieram de hidroavião até Paranaguá, subiram a Serra do Mar e a de S. Luiz, para entregar-lhe o poder depois da deposição do presidente Washington Luiz.
Nos recontros que ocorriam na divisa do Paraná com S. Paulo, a Cruz Vermelha que atendia os feridos foi criada e instalada em Ponta Grossa, sob o comando da denodada dra. Walkyria Moreira Naked, viúva de um dos mártires da causa aliancista. Homens e mulheres ponta-grossenses aderiram voluntariamente à Revolução; abriram o Café Liberal na rua XV de Novembro, destinado a recolher fundos para o movimento; atenderam nos hospitais de sangue abertos nos dois nosocômios da época e em outros locais particulares. Casas de comércio doavam peças de fazenda para que damas da sociedade costurassem roupas de cama, pijamas e outras peças para os feridos, jovens se alistaram nas frentes de batalha, médicos experientes como o dr. Francisco Burzio transformaram trens em hospitais, indo e vindo dos principais lugares onde revolucionários e legalistas se enfrentavam.
Enfim, a bandeira precípua da Aliança Liberal foi a regeneração dos costumes políticos e a extinção da corrupção que grassava no Poder Público. E Getúlio, depois de 15 anos no poder, realizou importantes conquistas, mas não conseguiu extinguir os males endêmicos que infelicitavam o país e que, ainda hoje, se fazem presentes.

O autor é um dos fundadores da Academia de Letras dos Campos Gerais, advogado, e foi juiz, vereador e prefeito da cidade de Prudentópolis, de onde é natural. Entusiasta da História, é autor de diversos livros, incluindo “Das Colinas do Pitangui…” e “Corina Portugal: História de Sangue e Luz”.

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