Planta medicinal e fitoterápicos: são a mesma coisa? Qual a dose correta?

A resposta é não! Planta medicinal é toda espécie vegetal capaz de aliviar sintomas e já consagrada pela população. É usada desidratada ou 'in natura', ou seja, da forma como ela é obtida do seu quintal. Chá de camomila, chá de boldo, chá de espinheira santa, por exemplo, são consideradas plantas medicinais. Já os fitoterápicos são medicamentos industrializados ou manipulados em farmácias e que contém em sua formulação planta medicinal, partes dela ou compostos químicos extraídos da mesma, os quais, por um processo de purificação, padronização (dose correta) e ensaios clínicos (testes de toxicidade) comprovem a sua efetividade. Como é o caso de medicamento industrializado que contenha sementes da castanha da índia (Aesculushippocastanum) e utilizado para fragilidade capilar no caso de varizes e hemorroidas.
Quem explica tudo isso é a pesquisadora Dione Navarro. De acordo com ela, toda planta possui seu perfil terapêutico único. Portanto, a dose varia de espécie para espécie e a quantidade ingerida deve ser conhecida para se evitar efeitos colaterais, intoxicação ou efeitos indesejáveis. "Um caso pouco conhecido e que provoca descrença quanto ao seu uso é o Ginkgobiloba, espécie chamada de 'árvore da vida', porque foi a única que resistiu à bomba atômica de Hiroshima", destaca. Ela pontua que o ginkgo é considerado atualmente um dos mais potentes vasodilatadores periféricos, ou seja, aumentam a oxigenação e ativam a circulação a nível cerebral ou de membros inferiores evitando varizes, derrames, aneurismas, arteriosclerose ou senilidade precoce.
"O que poucos sabem é usar a dose correta da planta medicinal ou do fitoterápico a ser utilizada. Na planta medicinal, os ginkgobilobalídeos (princípios ativos) estão misturados com outros componentes. No fitoterápico industrializado se usa o extrato seco, que contém esses componentes bioativos isolados e, consequentemente, com grande potência farmacológica. Então para se ter efeito na recuperação da memória, há necessidade de se tomar dezenas de cápsulas da planta medicinal para se obter o mesmo efeito de um comprimido de fitoterápico (que possui o extrato seco- efeito concentrado)", esclarece a pesquisadora.
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Curiosidade: pode-se usar qualquer planta da mesma espécie vegetal?
A resposta aqui também é não. Às vezes temos mais de uma espécie vegetal com o mesmo nome. Como é o caso da pata da vaca (Bauhiniafortificata), grande aliada para o tratamento do diabetes, por aumentar a interação da insulina com as células e estimular a degradação da glicose impedindo que se torne circulante na corrente sanguínea. "A natureza nos presenteia com pata de vaca com flores rosas e outra com flores brancas. Aí está a grande diferença! Somente a Bauhinia de florada branca é quem possui os componentes ativos que provocam uma ação hipoglicemiante. Se for ingerido chá de pata de vaca de flores rosas, este não terá nenhuma ação contra o diabetes", explica Dione.
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