24 de julho de 2026

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‘Natural’ por Rodrigo Czekalski


Por dmais Publicado 07/03/2016 às 03h00 Atualizado 24/02/2026 às 01h17
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O trabalho ficará exposto no Shopping Palladium até o dia 27 de março

Foto: AMAMENTAÇÃO – Eles falam da obscenidade, da exposição do corpo. Da vergonha que aquela mãe não tem. E que o peito que alimenta o bebê, ali no espaço público, deveria estar debaixo de sete lenços, como se não existisse. Assim, sem chamar atenção, a mulher amamenta e sem atrair olhares, sem perturbar quem anda, com a cena conhecida e experimentada por qualquer mamífero humano. Pelos olhares que desaprovam e provocam incômodo, muitas preferem aceitar a tradição: cobre essa criança que ali mama, isso é coisa tua, só tua. Exposto ou escondido, aceita, é alimentação.

Foto: ENTRE QUATRO PAREDES – Desde que veio ao mundo tem um jeito certo para seguir. Tem nome pra ganhar, cor de roupa para usar e brinquedo certo para brincar. Igual à boneca, ela vem na caixa com predeterminações: vai ser linda, organizada, educada. Se na adolescência desviar um tanto, aguarda, que logo volta pra linha. A normatização que grita o “como ser uma mulher” e “como ela vai agir” ressoa forte, olha de volta todas as vezes que você se permitir ir além e ser quem quiser. Nessa hora, desafia as normas, levantar a cabeça e vá ser quem quiser, fora dessa caixa que diminui tua vida.

Foto: MAQUIAGEM – Aprende desde cedo que estética e perfeição fazem parte da vida, que existem para serem atingidas e que, mesmo que o tempo passe, são várias as forças de fazê-lo invisível, nem que para isso seja preciso altos investimentos no corretivo, rímel, sombra, blush e batom. Mas, assim como a moeda, a situação é dual: se por um lado é artifício, por outro é material artístico. E esse tempo ganha cor, performance, fantasia. Quem foi que disse que não se pode fazer do rosto tua tela mais expressiva? O que importa é que seja cor de liberdade.

Foto: CORPO – O peso do corpo, o peso da culpa, de não estar no padrão, de não entrar na roupa, no ideal. Com isso, perder o gosto, sentir-se aquém do normal. Tua vida não cabe na fita métrica nem no olhar daqueles outros, menina. E se fizer mudança na balança, faz por ti e pelo teu bem estar, não por eles. Pois quando virar pele, eles vão pedir o osso, e nesse momento não vai haver a felicidade nem beleza, nem leveza. Vai ter tristeza em dobro, e sem o molho pra disfarçar o amargo que a falta de amor própria traz.

Foto: FRAGILIDADE – A tua força, mulher, está estampada na cara e na garra de uma vida inteira. Na luta do parto, nos medos da infância, nas descobertas da juventude, nos amores que decepcionaram, na vida que decidiu viver sozinha, na vida a dois, a três, no trabalho diário e na sobrevivência do ser. Não te deixa levar pelo que dizem por aí, que tua delicadeza encanta e que te torna menor, frágil. Sabes da força que tem que ter para ser quem é. Enfrenta, se empodera e mostra que a fraqueza não constitui teu ser, mulher.

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