
No Brasil, dados do Cadastro Nacional de Adoção (CNA), do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), indicam que há uma média de cinco pais pretendentes a adotar para cada criança e adolescente na fila da adoção. A conta não fecha por um motivo simples: o perfil que os pais procuram é oposto ao perfil da maioria dos que estão à espera de uma família.
Hoje, no Brasil, há 7.628 crianças e adolescentes cadastradas para adoção e 39.715 pretendentes a adotar. Poucos pais (0,7%) aceitam crianças de 13 a 17 anos, mas essa é a faixa etária em maior número na fila da adoção (40,7%). No Paraná, a fila de espera por uma nova família tem 901 crianças e adolescentes, e há 4.036 pais cadastrados.
Quem pretende adotar uma criança que está habilitada à adoção, sem especificar muito um perfil, seja pela idade ou pelo sexo, seja pela cor da pele ou por ter irmãos, terá um tempo de espera durante o processo que pode ser inferior ao de uma gestação. O que precisamos é despertar o interesse dessas famílias que já estão cadastradas, que já demonstraram disposição, e aproveitar isso para que seja adotado o público que realmente precisa ser adotado, ou seja, adolescentes, crianças com deficiência, sem aquele perfil padrão. É o que chamamos de adoção necessária, enfatiza o procurador de Justiça Murillo José Digiácomo, coordenador do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente. (Das assessorias)
Perfil dos envolvidos
Crianças e adolescentes à espera de adoção
40,7% – 13 e 17 anos
48,5% – são pardas
61% – possuem irmãos.
Pais que buscam adotar crianças e adolescentes
44,9% aceitam crianças de todas as raças
63,2% não se importa se for menino ou menina
67% não aceita adotar irmãos,
80,8% desejam adotar crianças de 1 a 5 anos.
Fonte: CNJ