
* Por Felipe Liedmann e Walter Téle Menechino
A vacina é o alento há muito esperado pela população após dez meses de insegurança, medo e incerteza. As seis mil doses descarregadas nesta terça-feira (19), na sede da 3ª Regional de Saúde, na Vila Estrela, em Ponta Grossa, trazem esperança de dias melhores para todos. Elas não significam o encerramento da pandemia, mas abrem o capítulo com potencial de colocar o ponto final nesta história de dor e tragédia.
Um enredo que até este dia acarretou a perda de 250 ponta-grossenses. Em leitos clínicos e de UTI’s abarrotadas, com pacientes lutando contra o novo vírus e seus sintomas e até mesmo com o negacionismo à doença. Infelizmente, mais de duas dezenas deles não conseguiram vencer e se juntaram a 9.060 paranaenses que deixaram saudades. No Brasil, o segundo país com mais mortes no mundo, são 211.491 óbitos.
Os números fatídicos, lamentavelmente, ainda vão crescer até que a Organização Mundial da Saúde (OMS) decrete o fim do estado de emergência, mas o início da imunização dá segurança para que os profissionais da saúde – primeiros vacinados em todo o país – sigam adiante no tratamento dos seus pacientes.
O início
O crescimento global de infectados foi constatado no dia 11 de março de 2020, quando a OMS declarou que vivíamos a pandemia do novo coronavírus. O vírus já estava no Brasil. Um homem de 61 anos, residente em São Paulo, voltou infectado de uma viagem para a Itália em 26 de fevereiro.
Duas semanas depois, o Paraná apresentava a primeira ocorrência viral. Mais duas semanas, e no dia 21 de março, Ponta Grossa registrava o primeiro caso: um homem, que não teve a idade informada, e que também havia viajado para os Estado Unidos.
A insegurança se instalou. O comércio foi fechado por duas semanas e as pessoas deixavam suas casas apenas em extrema necessidade. Cenas que pareciam de filme do apocalipse eram bem reais, com ruas quase desertas. Mas a economia precisava girar.
Distanciamento social, álcool em gel, máscaras e luvas para proteção começaram a ser adotados como medidas para evitar a propagação do novo coronavírus. Em Ponta Grossa houve um momento em que dezenas de pessoas formaram filas em frente a uma fábrica de álcool em gel, no Distrito Industrial. O produto faltava nas gôndolas de farmácias e mercados.
Em junho, a principal cidade dos Campos Gerais anunciava a primeira morte pela doença, até então muito pouco conhecida. O motorista Valdevino de Jesus Rocha, de 68 anos, do Boa Vista, morreu no dia 9 na Santa Casa de Misericórdia. O corpo foi direto para o cemitério Parque Jardim Paraíso – sem velório – assim como ocorreu com cada um dos mais de 200 mil mortos no país.
Número de leitos e de internados no HU aumentou em mais de dez vezes
No Hospital Universitário (HU) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), os primeiros leitos exclusivos para pacientes com covid-19 ou suspeita da doença foram disponibilizados em março, além de uma estrutura externa para triagem dos pacientes e um plano de contingência que previa mudanças nos atendimentos. Eram 30 leitos inicialmente. Dez meses depois são 114.
O aumento estrutural não foi necessário apenas por comodidade, mas sim pela disseminação de casos graves da doença na cidade e na região. Em abril, quando a UEPG divulgou o primeiro boletim do HU, eram oito pessoas internadas. Ontem de manhã eram 98- 12 vezes mais pacientes do que no início.
As ampliações foram gradativas. Em junho, o hospital passou a contar com 20 leitos de UTI e 15 leitos clínicos. Outros 19 leitos clínicos foram abertos no início do mês seguinte. Com a chegada de equipamentos para dez novos leitos de UTI, a Ala Covid totalizou, em 17 de julho, 30 leitos de terapia intensiva e 24 clínicos. Os números precisaram crescer em setembro e no início de 2021, contabilizando assim 46 UTI’s, 64 clínicos e 4 emergenciais.
Chegada da vacina não relaxa cuidados básicos
O início da vacinação não significa o fim da pandemia e tampouco da doença. As primeiras seis mil doses da Coronavac, recebidas pela 3ª Regional de Saúde, serão aplicadas em profissionais da saúde, especialmente naqueles que estão na linha de frente dos atendimentos. Depois, a prioridade são idosos, pessoas com comorbidades e indígenas.
Os primeiros vacinados ainda precisarão receber a segunda dose dentro de aproximadamente 21 dias. Ou seja, até a imunidade completa da população há um longo caminho a ser percorrido. Estima-se que, se não faltar insumos para a produção de vacinas, a imunidade coletiva seja alcançada no final deste ano.
A logística vacinal, no caso da Coronavac, a única utilizada no Brasil por enquanto, depende de matérias-primas enviadas pela China ao Instituto Butantan, de São Paulo. Nesta segunda-feira (18), o órgão mostrou preocupação com a falta de insumos, o que pode provocar revisão nas datas de vacinação do Brasil.
Outra situação é que os vacinados não terão a doença ou terão de forma fraca, contudo, não se pode afirmar ainda que eles não transmitem o vírus. Assim, o uso de máscara, álcool em gel e distanciamento social permanecerão necessários e importantes por meses.
Crianças e adolescentes
Os menores de 18 anos não serão vacinados com a Coronavac. Os estudos em crianças e adolescentes não estão concluídos. Por isso, a maior parte dos países autorizou imunização somente de adultos e idosos. Isso inclui o Brasil. O mesmo ocorre com gestantes e puérperas. Não há dados consolidados sobre a eficácia dos imunizantes nesses grupos de pessoas.
Contágio da covid-19
Ponta Grossa
(de 21/03/2020 a 19/01/2021)
Casos: 15.855
Recuperados: 6.357
Óbitos: 250
Paraná
(de 12/03/2020 a 19/01/2021)
Casos: 504.605
Recuperados: 371.608
Óbitos: 9.060
Brasil
(de 26/02/2020 a 19/01/2021)
Casos: 8.573.864
Recuperados: 7.618.080
Óbitos: 211.491
Mundo
(de 21/01/2020 a 19/01/2021)
Casos: 96.218.601
Recuperados: 53.118.533
Óbitos: 2.058.534
