18 de julho de 2026

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Esgotamento profissional afeta mais de 30% dos brasileiros


Por dmais Publicado 13/04/2017 às 03h00 Atualizado 24/02/2026 às 03h22
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Exaustão emocional, fadiga, impaciência, irritabilidade, estresse, falta de concentração, falhas de memória, decepção e baixa satisfação com as atividades do trabalho. Se você se identificou com estes sintomas, pode estar sofrendo com a Síndrome de Burnout.

Cada vez mais frequente entre a população, a doença foi identificada em profissionais que lidam diretamente com o público, como médicos e professores, no entanto, hoje pode afetar qualquer todas as profissões. – Uma pesquisa realizada pela sede brasileira da International Stress Management Association com mil profissionais identificou que 72% dos entrevistados sofriam com estresse, sendo que 30% deles apresentavam o Burnout.

Segundo dados de 2016 da Previdência Social, mais de 75 mil trabalhadores foram afastados de suas funções no período em razão de quadros depressivos, como o Burnout. Até 2020, de acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a depressão será a doença mais incapacitante do mundo.

De acordo com o psiquiatra e perito judicial, Carlos Augusto Maranhão de Loyola, as pessoas devem tomar cuidado para que os sintomas da síndrome não passem despercebidos como se fosse apenas um sintoma de estresse.

“O indivíduo estressado com o trabalho mantém a capacidade de se desconectar, seja num final de semana ou nas férias, com a resolução do problema emergencial que gerava o estresse. A Síndrome de Burnout, porém, é exacerbada. A pessoa não desconecta do trabalho em nenhum momento e fica impossibilitado de realizar outras atividades”, explica.

O especialista explica ainda que as consequências da síndrome desencadeiam noites mal dormidas, má alimentação e uma preocupação constante com o trabalho. “Elas passam a duvidar de sua própria capacidade de solucionar problemas profissionais, sentem-se desassistidas e passam a um estado de indiferença emocional generalizada, tanto nas relações profissionais e pessoais”, ressalta.

Motivos

O psiquiatra explica que a carga horária excessiva, funções extremamente burocráticas, pouca liberdade no exercício do trabalho, turnos irregulares, estrutura desorganizada da empresa e chefias que dão ordens ambivalentes são os gatilhos mais comuns para o adoecimento profissional.

“Indivíduos com característica de personalidade perfeccionista, ansiosos, competitivos, narcisistas, pessoas que não medem esforços para se destacar, sempre com a intenção de manter um alto desempenho, também são mais propensos a ter a síndrome”.

Mudança de hábitos e terapia são indicadas para tratamento

O tratamento, segundo Loyola, precisa objetivar uma mudança no estilo de vida, tanto no que diz respeito à relação do indivíduo com o trabalho, quanto aos padrões de sua personalidade que possam facilitar o desenvolvimento do Burnout.

“Isso pode ser conquistado por meio da psicoterapia e de uma reorganização de vida que leve o sujeito a controlar melhor a separação entre a entrega saudável e prejudicial ao trabalho. Entretanto, nos casos em que as alterações de humor ou a ansiedade sejam muito evidentes, pode ser necessária a prescrição de medicamentos”, afirma o psiquiatra.

A prevenção, no geral, se dá por hábitos de vida saudáveis – atividade física regular, alimentação saudável, sono adequado, separação de momentos para o lazer e trabalho. “Precisamos tomar as rédeas da rotina, saber colocar limites, não deixar de fazer aquilo que nos traz recompensa – seja um futebol para descontrair com os amigos, um final de semana desconectado do celular com a família ou tempo para brincar com os filhos”.

Fábio Matavelli/Divulgação
Carga horária excessiva e pouca liberdade no trabalho são gatilhos para o adoecimento profissional

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