
Neste sábado (22), o Estádio Regional Willy Davids, em Maringá, ocorre a primeira partida das finais do Campeonato Paranaense 2025 de futebol, entre o Operário Ferroviário e o Maringá Futebol Clube. No sábado seguinte, dia 29/03, a grande final será no Estádio Germano Krüger, a casa do Operário na Vila Oficinas, em Ponta Grossa.
Final do Campeonato Paranaense 2025
Será a sétima vez em que o Paranaense, disputado desde 1915, será decidido por clubes do interior do Estado. Como toda final, o play off entre os clubes do interior guarda algumas curiosidades, que podem interessar aos amantes do futebol, e especialmente, à torcida de ambos os clubes.
O ‘Dogão’
Vamos começar falando sobre o Maringá FC, o “Dogão”. A agremiação tem apenas 15 anos de história, mas já está em quarta disputa de finais. Um feito para um clube tão jovem, e que hoje disputa a série C do Campeonato Brasileiro. A cidade de Maringá tem tradição no futebol do Paraná.
O antigo clube Grêmio Esportivo Maringá (ou Grêmio de Esportes Maringá, como passou a ser nominado a partir de 1974), o “Galo Maringá”, foi três vezes campeão paranaense (1963, 1964 e 1977) e cinco vezes vice-campeão (1965, 67, 71 e 2002). Por razões administrativas e financeiras, o clube deixou de atuar profissionalmente a partir de 2019.
A partir da ascensão do Maringá FC, a antiga torcida do Grêmio migrou e assumiu o êmulo como seu, especialmente depois da presença do Dogão em 3 finais estaduais recentes (2014, 22 e 24).
O ‘Fantasma’
Pelo lado do Operário Ferroviário, está a tradição: esta é a 16ª final disputada. A primeira vez
que o clube ponta-grossense chegou à final foi em 1923. Aquele ano marcou o 1º dos 14 vicecampeonatos que o Fantasma amargaria, ao longo do século 20.
Apenas em 2015, 103 anos depois de sua fundação, e justamente no centenário do Campeonato Paranaense, o Fantasma finalmente conquistaria o primeiro (e até agora, único) de seus títulos estaduais, vencendo o Coritiba em duas partidas (2×0 em Ponta Grossa, 3×0 em Curitiba).
Nas últimas 5 edições do Campeonato Paranaense, o Fantasma chegou às semifinais, mas não conseguiu avançar à disputa do título estadual. A partida do dia 29/03 será a primeira vez em que o tradicional estádio Germano Krüger receberá a Grande Final do Campeonato Paranaense.
Expectativa
É grande a expectativa sobre quem vencerá. Qualquer palpite, dado o prognóstico das duas equipes, que não chegaram à final por acaso, é futurologia: ambos os times têm totais condições de levantar a taça, e quem quer que seja o Campeão, o será por mérito.
Os clubes do interior
Entre 1915 e 1923, nenhum clube do interior havia chegado à final do campeonato. O primeiro a fazer isso foi justamente o Operário Ferroviário, que perdeu o título para o Britânia em 1923.
Conquistas do Operário
O Fantasma chegou à final em 1924, 25 e 26 (dividiu o vice-campeonato em 1924 com o Coritiba Futebol Clube, em 1925 com o Savoia e em 1926 com o Clube Atlético Paranaense – àquele tempo, sem o “h”).
As finais entre 1929 e 1941 tiveram clubes do interior: O OFEC chegou às finais de 1929, 30, 32, 34, 36*, 37, 38 e 1940. O Guarani Esporte Clube foi vice-campeão em 1931. O Nova Rússia Esporte Clube, em 1933. O centenário Olinda Esporte Clube, em 1935 – todos com sede em Ponta Grossa.
O Pinheiral Esporte Clube, de Palmeira, e a Associação Esportiva Jacarezinho, da cidade com o mesmo nome, disputaram as finais de 1939 e 1941. Os campeões deste período foram Atlético (1929, 30, 34, 36 e 1940), Coritiba (1935, 39 e 41), Clube Atlético Ferroviário (1937 e 38) e Palestra Itália (1932).
Foi preciso uma década para o interior disputar novamente a final: em 1951, a AE Jacarezinho voltou a perder o título para o Coritiba. Em 1953, A Associação Atlética Cambaraense (de Cambará) foi à final, perdendo para o Ferroviário, e em 1954, novamente o Coritiba derrotou a AE Jacarezinho.
Uma vitória inédita
Em 1955, pela primeira vez um time do interior conseguiu vencer o campeonato: o Clube Atlético Monte Alegre (CAMA), de Telêmaco Borba, bateu o Ferroviário em três partidas, com um empate em Curitiba (2×2) e duas vitórias (3×1 em Telêmaco Borba, 1×0 na finalíssima em Curitiba). Em 1956, 58 e 59, o Guarani, o Operário e o Londrina disputaram – e perderam – as finais contra a dupla Atletiba.
A década de 1960 começa com a final entre Coritiba (campeão) e Mandaguari Esporte Clube, da cidade homônima. Em 1961, a primeira “final do interior”, entre Esporte Clube Comercial, de Cornélio Procópio e OFEC – pior para o Fantasma, que somou o 14º vice-campeonato, e somente voltaria a disputar outra final 54 anos depois, justamente em 2015, quando conseguiu vencer o campeonato pela primeira vez.
Entre 1962 e 1964, tivemos uma sequência de clubes do interior campeões estaduais: o Londrina EC venceu o Coritiba em 62; o Grêmio Maringá venceu respectivamente o Ferroviário em 1963 e o Seleto de Paranaguá em 1964 (marcando a 2ª final do interior).
Grêmio Maringá, União Bandeirante Clube e novamente Grêmio Maringá foram vices de Ferroviário (1965 e 1966) e Água Verde (1967). Em 1971, o União Bandeirante foi finalista contra o Coritiba (campeão). Depois disso, somente em 1980, tivemos times do interior – quando Colorado Esporte Clube e Cascavel Esporte Clube foram considerados campeões, e o LEC ficou com o vice. Foi um campeonato confuso, em que não houve disputa de finais. Em 1981, a 3ª final do interior, com o famoso “Clássico do Café”, entre Londrina EC e Grêmio Maringá. Melhor para o LEC, que conquistou seu segundo título.
Somente em 1989 veríamos outro clube do interior na final – o União Bandeirante perdeu para o Coritiba. Em 1992, a 4ª final do interior, entre LEC e União Bandeirante, novamente vice. Em 1993 e 1994, o LEC foi vice do Paraná Clube. E em 2002, a 5ª final do interior, em que o Iraty Sport Club foi campeão sobre o Grêmio Maringá. Em 2003, o Atlético Clube Paranavaí foi vice do Coritiba.
Em 2006, a Associação Desportiva Atlética do Paraná – ADAP, de Campo Mourão, foi vice do Paraná Clube, e em 2007, o AC Paranavaí foi campeão vencendo o Coritiba. A 6ª final do interior aconteceu em 2021, entre Londrina EC e FC Cascavel, com o LEC levantando a taça. Em 2022, 23 e 24, Maringá EC, Futebol Clube Cascavel e novamente Maringá EC foram vices do Coxa e Atlético.
Inédita decisão
Neste ano de 2025, a 7ª final do interior será marcada pela inédita decisão entre os dois clubes interioranos. Será também a 13ª vez que um clube do interior do estado levantará a taça de campeão paranaense.
*Texto gentilmente cedido ao Diário dos Campos pelo jornalista André Rosa, ponta-grossense e operariano, que mora em São Paulo há 10 anos, onde atua como professor de português para estrangeiros.
