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Bom Jesus é pioneiro na utilização de plasma em pacientes com covid-19

A médica Liliana Elias Pena Pilatti é especialista em Cardiologia Intervencionista e Hemodinâmica do Bom Jesus

O Hospital Bom Jesus foi a primeira unidade de saúde de Ponta Grossa a utilizar plasma convalescente no tratamento de pacientes com covid-19 em estado grave. A iniciativa, após conversar com colegas de profissão, foi da médica Liliana Elias Pena Pilatti, especialista em Cardiologia, Cardiologia Intervencionista e Hemodinâmica. A técnica, que vem sendo estudada pelo Hemepar de Curitiba desde maio, consiste em utilizar esse material para tratar pessoas que tenham sido contaminadas pelo novo coronavírus em estado de comprometimento pulmonar.

Em Ponta Grossa, a paciente Vilma Ribeiro do Vale Becchi, de 55 anos, foi a primeira a receber a transfusão. Ela deu entrada no Bom Jesus no dia 6 de agosto e permaneceu internada na enfermaria até o quadro da doença se agravar, entre a madrugada do dia 9 para o dia 10 de agosto, quando foi transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

“Esta paciente teve câncer de cólon no ano passado e comprometimento do pulmão. Ela já estava sendo tratada com corticoides, anticoagulantes, broncodilatadores e outros medicamentos. Ao conversar com outros médicos, a exemplo do doutor Magno Zanellato, levantamos a questão da utilização do plasma após observar o resultado da tomografia. Sabíamos que poderia ser uma das armas no tratamento e então fizemos a solicitação de três bolsas ao Hemepar de Curitiba”, explica a cardiologista Liliana Pilatti, especialista em Cardiologia Intervencionista e Hemodinâmica, que atua no Bom Jesus, Hospital Geral Unimed e Clínica Inovare.

De acordo com a especialista, a paciente fez uso das três bolsas, sendo utilizada uma a cada 24 horas, por conta do quadro clínico da paciente. “A primeira bolsa foi utilizada no dia 10 de agosto, logo após a assinatura do termo de consentimento pelos familiares da paciente e viabilização de todos os documentos necessários para a utilização do plasma”, disse a cardiologista. Após o tratamento com o plasma e demais medicamentos, a paciente deixou a UTI no dia 17 de agosto e no dia 19 do mesmo mês recebeu alta hospitalar.

“Acredito que o plasma tenha ajudado e pode ter sido sim uma arma no tratamento da doença juntamente com os demais medicamentos utilizados. Mas não podemos afirmar que somente o plasma contribuiu para a melhora. Também não podemos dizer que temos certeza absoluta que ele funciona. No entanto, não existe uma fórmula mágica, mas creio que temos que utilizar tudo o que pudermos para salvar a vida do paciente”, destacou a médica.

O plasma também foi utilizado em outros cinco pacientes do Hospital Bom Jesus, todos em agosto, e ontem mais bolsas de plasma foram solicitadas ao Hemepar para tratar o sexto e o sétimo pacientes. Dos cinco que foram tratados com plasma, quatro já estão em casa e um deixou a UTI – está internado na enfermaria. “O plasma é uma transfusão normal e não custa tentar. Ao vermos a piora dos nossos pacientes, queremos realmente tentar tudo o que pode ter algum benefício no tratamento”, diz.

Segundo Liliana, o tratamento com o plasma hiperimune foi primeiramente utilizado em seus próprios pacientes. “Mas tenho colegas que também já solicitaram bolsas, como é o caso do médico Pedro Compasso, que é responsável pela Ala Covid-19 do Bom Jesus”.

Equipe

Antes da utilização do plasma convalescente na primeira paciente, a cardiologista conversou e contou com o apoio de outros especialistas de Ponta Grossa. Ela citou a hematologista Violete Laforga, o cirurgião torácico e pneumologista Magno Zanellato, o pneumologista Pedro Compasso e o cardiologista Marcelo Valladão.

As profissionais do Hemepar de Ponta Grossa, Nelsi de Oliveira Zakszewski, chefe do Hemonúcleo, e a bioquímica Fabíola Viol Tonon, também contribuíram, segundo a cardiologista, na viabilização das bolsas. “A enfermeira Luana de Medeiros, do Bom Jesus, também nos ajudou muito com a viabilização dos documentos. A equipe de transfusão do hospital e a fisioterapia também foram importantíssimas na recuperação dos pacientes”.

Transfusão

A ideia principal do tratamento é realizar a coleta dos anticorpos do plasma e transfundir em uma pessoa que diagnosticou positivo para a doença. “A ideia não é utilizar somente em pacientes que estão na UTI, deve ser usado de maneira precoce antes de evoluir mal e precisar de UTI”, disse a médica.

A enfermeira e chefe do Hemepar, Nelsi de Oliveira Zakszewski, explica que os anticorpos presentes no plasma hiperimune poderão fazer com que o vírus presente no organismo dessas pessoas fique cada vez mais fraco e seja combatido. “Dessa forma, faremos uma imunização para melhorar a defesa do organismo”, destacou a enfermeira.

O plasma deve ser congelado a -20°C até 8 horas após o início da coleta e isso requer equipamentos e profissionais capacitados e treinados. O Hemepar de Ponta Grossa deverá se tornar autossuficiente na demanda de plasma da cidade. Na última semana, o Hemonúcleo local informou que o plasma convalescente coletado de três doadores apresentou resultado positivo para a presença de anticorpos.

O plasma fez diferença na minha vida”, afirma paciente

A empresária do ramo de transportes, Vilma Ribeiro do Vale Becchi, de 55 anos, começou a sentir os primeiros sintomas da covid-19 em casa. Tudo começou com uma febre e uma tosse seca. Após uma tomografia, deu entrada na ala de isolamento do Hospital Bom Jesus no dia 6 de agosto, quando fez o primeiro teste para a covid. No dia seguinte, os sintomas pioraram e a paciente já não conseguia respirar.

“Tomei todas as medicações e fui levada para a UTI em estado muito grave. Os médicos avaliavam a possibilidade de me entubar e nesse período eu fui para o respirador. O meu marido assinou o termo de autorização para o plasma e então eu tomei a primeira bolsa”, disse.

Após a primeira transfusão, Vilma alegou que sentiu diferença e apresentou melhora. “Até os enfermeiros notaram. Da primeira bolsa para a segunda eu já era outra pessoa, eu estava mais disposta. Teve um dia que os médicos pensaram que eu não fosse sobreviver. Mas lutaram pela minha vida, inclusive a doutora Liliana que prontamente me atendeu. Tenho certeza que o plasma fez a diferença na minha vida”, lembrou.

Além de Vilma, o seu marido, de 55 anos, e os dois filhos, de 25 e 31 anos, também tiveram covid-19. “Inclusive, os meus dois filhos vão doar o plasma para o Hemepar. E eu peço que as pessoas que tiveram a doença também doem, pois eu tenho certeza que salva vidas”, disse Vilma.

Quem pode doar plasma convalescente

– Homens e mulheres com idades entre 18 e 59 anos

– Mulheres não podem ter passado por gestações

– Apresentou sintomas leves de covid-19

– Pesar mais de 55 quilos

– Estar no período entre 45 a 60 dias da data do diagnóstico do vírus

– Não ter tido ou estar com as doenças: Sífilis, Chagas, Malária, HIV, HTLV, Hepatite B e C.

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