
Memórias de Adriano
Marguerite Yourcenar
Para as férias de 2026, indico um dos meus livros prediletos: Memórias de Adriano, obra-prima de Marguerite Yourcenar, publicada originalmente em 1951. A leitura dessa “autobiografia imaginária” desafia a pressa dos tempos atuais e convida à contemplação de personagens que transcendem o mármore das estátuas. O texto percorre a solidão do poder, a erudição da cultura grega e a vulnerabilidade do amor, acompanhando a trajetória do imperador romano Adriano (séc. II d.C.) entre a plenitude da vida e a consciência sobre a morte. O ponto alto (e mais sensível) é a narrativa de seu relacionamento com o jovem Antínoo, cuja perda mergulha o imperador em um luto profundo, transformando a paisagem do Império na busca por imortalizar o amado por meio da arte. Para uma imersão plena, recomendo acompanhar a leitura com a obra para piano a quatro mãos Reminiscências de Adriano, do compositor brasileiro Amaral Vieira. Seus movimentos correspondem aos capítulos do livro e preservam os títulos originais extraídos do célebre poema de Adriano: Animula vagula blandula, hospes comesque corporis… (“Pequenina alma, errante e suave, hóspede e companheira do corpo…”).
Douglas Passoni de Oliveira – Cadeira 8
O Padrão Bitcoin
Saifedean Ammous
“O Padrão Bitcoin”, de Saifedean Ammous, argumenta que o dinheiro forte (com oferta limitada, como o ouro) é crucial para o progresso da civilização, enquanto o dinheiro fraco (como o fiduciário, que pode ser impresso livremente pelos governos) causa inflação, crises e endividamento.
O livro traça a história do dinheiro — de conchas e metais ao padrão-ouro e, finalmente, ao sistema de bancos centrais. Ammous defende que, ao abandonar o lastro em ouro, os governos ganharam o monopólio da emissão de moeda, o que resultou em moedas que perdem valor com o tempo.
Nesse cenário, o Bitcoin é apresentado como a solução para a era digital: uma forma de dinheiro descentralizada, globalmente acessível e com uma oferta fixa e imutável de 21 milhões de moedas, regida por regras matemáticas em vez de autoridades políticas. Para o autor, o Bitcoin tem potencial para se tornar um novo padrão monetário, restaurando a autonomia individual e a prosperidade econômica a longo prazo.
Marcelo Derbli Schafranski – Cadeira 27
Carroções – outras histórias
Arnoldo Monteiro Bach
Tempo de descansar e refletir, início do ano: um suspiro profundo para recobrar forças… A primeira leitura neste 2026 foi “Carroções – Outras histórias”, de Arnoldo Monteiro Bach, Editora UEPG, 2005. A obra relata os tempos do transporte de cargas realizado através de carroções puxados por cavalos que tanto impulsionaram o desenvolvimento econômico do Paraná. Para o nível de conforto nos tempos de hoje o contexto do livro parece voltar anos-luz no tempo, entretanto, trata-se de uma realidade de, no máximo, cem anos. Estes carroceiros foram gigantes e heróis na coragem que aquilataram enfrentando rigores inimagináveis para nossa atual covardia física. O melhor de tudo é que o livro narra fatos absolutamente reais com nomes de seus protagonistas carroceiros e cavalos, locais e datas.
Renata Regis Florisbelo – Cadeira 6
Tremembé: o presídio dos famosos
Ullisses Campbell
A razão desta indicação é simples: o livro atravessa a cortina da curiosidade e entrega um retrato potente do complexo penitenciário no Vale do Paraíba, onde regras rígidas, vigilância permanente e códigos silenciosos de prestígio definem cada passo. Longe das facções e com ocupação controlada, a rotina pode parecer “mais tranquila”, mas a tensão nunca sai de cena. Ao reconstituir casos como Robinho, Thiago Brennand, Suzane von Richthofen e Gil Rugai, Campbell revela como a fama pesa lá dentro, sem apagar obrigações nem culpas, e faz o leitor encarar, sem glamour, o lado mais sombrio da natureza humana.
Rafael Gustavo Pomim Lopes – Cadeira 4
A ciranda das mulheres sábias: ser jovem enquanto velha, velha enquanto jovem
Clarissa Pinkola Estés
Sugiro a leitura, acima, pela linguagem mágica e sugestiva de Clarissa Pinkola Estés, pois retoma e desenvolve os temas que inspiraram seu extraordinário Mulheres que correm com os lobos, entoando um poético hino ao feminino. Eis o recado que tocou minha alma: Mulheres, sintam como suas vidas são preciosas, de como, apesar de quaisquer imperfeições, somos os baluartes, as pedras de toque, as notas fundamentais, os paradigmas necessários. Somos: “A Mulher Eterna.” Convido, também eles, os homens, para um encantamento.
Boas férias, boas leituras!
ANELEH
Neuza Helena Postiglione Mansani – Cadeira 1
Dica da Biblioteca Paranista Eno Teodoro Wanke
LANÇAMENTO
O livro Simplicidade, fruto do Encontro das Letras, ocorrido em maio de 2025 no Palácio Belvedere, foi organizado pelas acadêmicas Luísa Cristina dos Santos Fontes (ALCG) e Silvia Maria Pereira de Araújo (AFLP). Tem projeto gráfico de André Praxedes e Lorena Maganhotto Guérios, Editora Allacriativa, lançado em 25 de novembro de 2025, 88 p. É uma coletânea de trinta textos de acadêmicos da Academia de Letras dos Campos Gerais e Academia Feminina de Letras do Paraná, prefaciado por Ernani Buchmann, Presidente da Academia Paranaense de Letras. Está disponível para download, gratuitamente, no site da AFLP e já se encontra na Biblioteca Paranista Eno Teodoro Wanke (ALCG) e Biblioteca da Academia Feminina de Letras do Paraná.
Escritores participantes
Bebel Ritzmann – Carlos Mendes Fontes Neto – Douglas Passoni de Oliveira
Eduardo Gusmão – Eliana Codespoti Teixeira de Freitas – Elieder Corrêa da Silva
Elizabeth C, R, Setti – Esméria de Lourdes Savelli – Flávio Madalosso Vieira
José Altevir Mereth Barbosa da Cunha – Leda de Oliveira Pinho – Liana Justus
Lila Tecla – Lilia Souza – Luísa Cristina Santos Fontes – Madalena Ferrante Pizzatto
Mara Cornelsen – Mario Sérgio de Melo – Neuza Helena Postiglione Mansani
Rafael Gustavo Pomim Lopes – Renata Barrozo Baglioli – Renata Regis Florisbelo
Renato Lucce – Rita Cassitas – Rozilda Euzebio Costa – Sérgio Monteiro Zan
Sílvia Maria P. Araújo – Teresa Jussara Luporini – Tereza Karam – Zuleima Magaldi
