
CARTOGRAFIAS DA PALAVRA – A Academia de Letras dos Campos Gerais agradece a Academia Paranaense de Letras, pelo convite para a participação no catálogo “Cartografias da Palavra: as Escritas no Paraná”. Recebemos o convite do acadêmico Paulo Vitola e a pesquisa está sendo realizada pela pesquisadora Ligia Souza. Agradecimentos aos acadêmicos participantes e demais escritores pela pronta acolhida à proposta. Encontros semelhantes já ocorreram em Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Cascavel… Ao final, provavelmente em novembro de 2026, no Palácio Belvedere, Curitiba, acontecerá um grande encontro de escritores para o lançamento da obra. Produção local de Maria Adriana Neves, Usina 42 Produções Culturais. Fotografias de Marcos Bastos. Da ALCG, participaram os acadêmicos: Sérgio Monteiro Zan (Presidente), Cadeira 20, Luiz Fernando Cheres (Vice-Presidente), Cadeira 11, Carlos Mendes Fontes Neto, Cadeira 9, (diretor da Biblioteca Paranista Eno Teodoro Wanke), Luísa Cristina dos Santos Fontes, Cadeira 5, Renata Regis Florisbelo, Cadeira 6, e Fabio Maurício Holzmann Maia, Cadeira 13. Participaram ainda os escritores: Rosicler Antoniácomi Alves Gomes, Antônio Ribas, Cleber de Moura (Patinhas), Róbison Benedito Chagas, Marcelo Vieira (Gari Poeta), Maria Vieira, Eliane de Freitas e Sérgio Batistel.
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BIBLIOTECA PARANISTA – O projeto “Às Quartas, na Biblioteca” encerra o primeiro semestre com uma edição especial em julho, celebrando o sucesso alcançado ao longo de seu primeiro ano de atividades. No próximo dia 8 de julho, às 14 horas, a Biblioteca receberá o escritor Dr. José Tadeu Tesseroli de Siqueira (foto) para um encontro dedicado à literatura, à pesquisa e à memória. O autor falará sobre sua trajetória como pesquisador, suas obras e o trabalho de investigação desenvolvido a partir do acervo da Biblioteca Paranista Eno Teodoro Wanke, que subsidiou importantes estudos sobre a história da Odontologia nos Campos Gerais e o resgate da memória regional. Será uma excelente oportunidade para conhecer os bastidores da pesquisa histórica e compreender como os documentos preservados em nossa Biblioteca contribuem para a produção do conhecimento e a valorização do patrimônio cultural dos Campos Gerais. Local: Rua XV de Novembro, 512, sobreloja, Edifício Boulevard Center, Centro, Ponta Grossa, PR. Foto de autoria de Carlos Mendes Fontes Neto.
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PUBLICAÇÕES – O Presidente Sérgio Monteiro Zan e comissão organizadora começam a preparar o número 1 de Vozes Campestres – Revista da Academia de Letras dos Campos Gerais. O acadêmico Douglas Passoni de Oliveira (Cadeira 8) e a acadêmica Alessandra P. Bucholdz, Cadeira 35, (ABC Projetos Culturais) finalizam a obra Crônicas dos Campos Gerais, terceira e quarta edições. Lançamentos em breve.
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COPAS E COPAS
Eu cresci ouvindo futebol pois a nova geração dos Mansani era toda masculina. Só tios e irmão e eu para conseguir um lugarzinho ao Sol acompanhava, quando possível, o interesse geral. Futebol, assunto possível de entender.
Aos oito anos já havia escolhido meus times do coração. Mal saídos da guerra nosso italianismo, longe da ditadura, voltou a florescer. Os antigos Palestra Itália foram os escolhidos. Em Minas, o Cruzeiro, em São Paulo, o Palmeiras, e no Rio, sem referência nenhuma, o time do coração, Vasco da Gama.
Já em Ponta Grossa a questão era um pouco diferente. Existiam vários clubes, mas os dois principais eram Operário Ferroviário e o Guarani Esporte Clube. Essa rivalidade dividia a cidade, classificava a população, quem torcia por um dos clubes jamais aceitava o outro. Eram os “graxeiros”, referência aos que ganhavam a vida empregados na ferrovia, dos “pós de arroz”, os torcedores do Guarani. Quando o Operário entrava em campo, os do Guarani gritavam “graxeiros” ou quando era o Guarani em campo ouvia-se “pá de arroz”, assim mesmo errado.
Lembro da Copa de 1950 e da grande rivalidade entre a seleção do Brasil e a seleção do Uruguai. O time do Brasil era 90% o time do Vasco, com o grande goleiro Barbosa. O jogo decisivo estava programado para um domingo à tarde. O programa de domingo à tarde era a matinê do Cine Renascença e a juventude da cidade estava lá em peso. Um olho no filme e o ouvido no jogo. O técnico do cinema acompanhava o jogo e nos passava as jogadas mais importantes, tirando o som do filme e berrando para a plateia.
O gran finale dependia de quem fizesse um gol, pois os dois times estavam iguais no placar, 0x0. O jogo chegando ao fim e nada de alguém resolver a situação lá no campo de jogo. Empate 1×1 e de repente Ghiggia chuta e Barbosa come um frango. O tio Fronha, apelido carinhoso do técnico do filme, passa o resultado. Primeiro a vaia depois o silêncio e nosso goleiro perdeu o respeito.
Agora assistindo na Copa atual o jogo Uruguai versus Arábia Saudita me vejo na impossibilidade de torcer pelo nosso vizinho. Voltei aos meus 14 anos e ainda ouço a voz dizendo – o Uruguai ganhou a Copa.
Aída Mansani Lavalle, Cadeira 36,
publicado no Facebook em 15 de junho de 2026
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EM TEMPOS DE FUTEBOL –
“A batalha era para valer. Campo de terra. Em lugar do alambrado, uma cerca de ripas. Ripas aliás, muito úteis, pois era frequente a torcida… juiz ladrão… não pode…e, “comia o pau”, quer dizer “a ripa”. “Desciam a ripa”. Após cada jogo, principalmente entre os tradicionais rivais, Operário e Guarany, uma nova cerca tinha que ser construída e um juiz tinha que mudar de cidade.
Na noite de domingo, após um clássico Ope-Gua, na Rua XV, os “graxeiros” – torcedores do Operário [“graxeiros”, porque muitos jogadores trabalhavam nas oficinas da Estrada de Ferro, trabalhavam com graxa.], ficavam circulando ou encostados do lado norte da rua e os “pó de arroz” – torcedores do Guarany [porque muitos jogadores pertenciam à classe dita grã-fina da cidade, não sujavam as mãos.], do lado sul. Houve ocasiões em que a pancadaria iniciada no campo, prosseguia na XV.”
Francisco Lothar Paulo Lange, Cadeira 33,
em Os Campos Gerais e sua Princesa. Curitiba: ed. do autor, 1998, p. 277.
