Leitura em tempo de férias– dicas dos acadêmicos II –
Por diagramacao
A Bem-Amada: Aimée de Heeren, a última dama do Brasil Delmo Moreira
Quando descobri “A Bem-Amada: Aimée de Heeren, a última dama do Brasil”, do autor Delmo Moreira, não imaginei o quão fascinante seria mergulhar na vida dessa mulher marcante, nascida em Castro, no Paraná. Cada página me transportou para os salões elegantes da alta sociedade, onde Aimée brilhou com charme e inteligência, tornando-se influente tanto no Brasil quanto na Europa. O livro explora, de maneira envolvente, sua controversa relação extraconjugal com Getúlio Vargas, acrescentando um toque de mistério e glamour a uma trajetória já repleta de fatos surpreendentes. O estilo de Delmo Moreira mistura pesquisa histórica rigorosa com uma narrativa cativante, que nos faz sentir parte dos bastidores do poder. Ao terminar, fiquei impressionado com o poder de sedução que Aimée exercia e como ela moldou seu destino de forma corajosa. Recomendo esta leitura a todos que desejam descobrir uma história verdadeiramente instigante e cheia de nuances. Vale cada página lida!
Rafael Gustavo Pomim Lopes – Cadeira 4
Véspera Carla Madeira A obra “Véspera” de Carla Madeira, publicada pela Editora Record em 2023 e na 14ª edição, traz uma escrita elegante e sensível para temas ainda mais sensíveis e nem sempre, intencionalmente, explicitados de forma tão direta. Personagens que poderiam estar em qualquer lugar e com porções que parecem em certos momentos virem habitar nosso âmago. Ganhei o livro nestas férias e apreciei muito a oportunidade de conhecer uma representante da literatura mineira atual. Uma trama na qual boa parte dos acontecimentos são mastigados e triturados na mente de seus protagonistas e observadores silenciosos, a ação que se desenrola na imobilidade e a agitação que se encaminha para a inércia. Sempre acompanhada de um lápis fiz inúmeras anotações de frases geniais e até filosóficas que refletem a ampliação do relicário de vida da autora e apurado senso de construção de seus personagens. Realidade? Se não era, passou a ser…
Renata Regis Florisbelo – Cadeira 6
O despertar do universo consciente – um manifesto para o futuro da humanidade Marcelo Gleiser O livro historia nossa ideia de mundo desde a Antiguidade até os dias atuais. O modelo heliocêntrico de Nicolau Copérnico – Século XVI – revoltou a Inquisição, crente do geocentrismo e do ser humano como a criação divina à imagem do criador, situada no centro do universo. Contrapondo-se à decepção da igreja com a revelação científica, Gleiser nos alerta da singularidade de nosso planeta, e do inusitado da vida. Mas atualmente monetarizamos tudo, colocamos preço na natureza e na vida, escolhemos trilhar um caminho que arrisca conduzir-nos à extinção. Após nos sensibilizar mostrando-nos como a Terra é única no cosmo que conhecemos, e como a vida é um inexplicável e fantástico mistério, o autor nos convoca para o reencontro com o sagrado que se manifesta no mundo e nos organismos vivos.
Mário Sérgio de Melo – Cadeira 7
A Vegetariana Han Kang Esse livro é considerado o livro perfeito, levou a autora a receber o Prêmio Nobel de Literatura, 2024.
Aída Mansani Lavalle – Cadeira 36
Berlin Alexanderplatz Alfred Döblin É um romance de 1929, escrito durante o movimento modernista que fez surgir o expressionismo alemão. A característica marcante da obra é uma narrativa fria e distanciada dos sentimentos comuns às pessoas, e esses sentimentos se contrapõem à razão. Essa é uma vertente literária revelada pelo Neue Sachlichkeit (nova objetividade) e a complexidade da forma com que a narrativa se desenvolve exige uma leitura bastante atenta. Por outro lado, a riqueza das descrições da região da Alexanderplatz e da Berlin dividida entre a grande depressão e a decadência moral apresentam ao leitor uma sociedade que se dividia entre a realidade e alegria duvidosa dos cabarés. A personagem central, após uma prisão por assassinato, tenta reconstruir sua vida com o propósito de levar uma vida correta, mas acaba arrastada para uma série de infortúnios. Berlin Alexanderplatz foi um marco na literatura expressionista alemã e Alfred Döblin é um dos maiores romancistas alemães do século XX.
Carlos Mendes Fontes Neto – Cadeira 9
A bailarina de Auschwitz Edith Eva Eger A autora foi bailarina e ginasta até os 16 anos, quando foi enviada ao campo de concentração de Auschwitz com a sua família. A psicóloga, sobrevivente do Holocausto, tem 97 anos. Um livro transformador.
Aída Mansani Lavalle – Cadeira 36
Dans les forêts de Sibérie Sylvain Tesson É um incrível relato escrito em forma de diário pelo aventureiro francês Sylvain Tesson. Nele, o autor narra em primeira mão a sua experiência de seis longos meses entre as florestas da Sibéria, sobrevivendo ao inverno russo em uma minúscula cabana de madeira onde o seu vizinho mais próximo está a 120 km (cerca de três dias a pé). São notas sobre seus suprimentos, sobre vodca e a prática da escrita, velas e tabaco, sobre a pilha de livros que levou para ler em paz, a rotina regrada, a pesca, o cão que encontra pelo caminho e as observações gerais da natureza. O livro também ressalta a preciosidade do frio, do silêncio e sobretudo da solidão, vista por ele como um refúgio interior e ao mesmo tempo a nossa maior fonte de grandeza. Posteriormente a obra foi transformada em documentário, com cenas gravadas pelo próprio Sylvain Tesson.
Newton Schner Junior – Cadeira 16
O Mago do Bem Marcos Bahena “Não era um homem comum, porque nenhum homem está predestinado a ser comum. Era um príncipe da vida, porque todos os homens são príncipes de suas próprias existências e de seus mundos”.