
Uma história da velhice no Brasil
Mary Del Priore (Vestígio, 2025).
Eu recomendo este livro ao leitor porque ele nos obriga a enxergar a velhice com outros olhos, sem romantização e sem desprezo. Com escrita fluida e pesquisa sólida, a autora reconstrói como o Brasil tratou seus idosos ao longo dos séculos, do período colonial aos dilemas atuais da longevidade. Entre crenças indígenas, o peso da Igreja, os discursos da Medicina e as representações na cultura, percebemos como a velhice já foi sinônimo de respeito e sabedoria, mas também de abandono e invisibilidade. É uma leitura que desmonta preconceitos, recupera histórias esquecidas e provoca uma pergunta incômoda, porém necessária: que lugar damos aos nossos velhos hoje? Livro indispensável para quem quer compreender o país e, sobretudo, amadurecer como sociedade.
Rafael Gustavo Pomim Lopes – Cadeira 4
Psicologia das massas e análise do eu
Sigmund Freud (Cia. das Letras, 2011)
O famoso ensaio foi escrito em 1921, entre as guerras mundiais, quando massas e totalitarismos assombravam o mundo. Freud analisa o processo de renúncia da individualidade e da racionalidade, da submissão ao ideal do grupo, em troca da sensação de pertencimento, proteção contra neuroses e frustrações. As massas, das quais dois exemplos são o exército e a igreja, são poderosas, conferem anonimato e irresponsabilidade ao indivíduo. Desdenham da realidade, são autoritárias, conservadoras e intolerantes. São herança do tempo das hordas primevas de bandos trogloditas. O ensaio centenário é atualíssimo: a sociedade ainda não encontrou o arranjo equitativo que torne o cidadão comum íntegro e sadio.
Mário Sérgio de Melo – Cadeira 7
A Linguagem Escravizada – Língua, história, poder e luta de classes
Florence Carboni e Mário Maestri (Expressão Popular, 2003)
Esta leitura é requisito essencial, fundamental e necessário para escritores, professores e pesquisadores pela proposta de informar e refletir sobre as etapas, contextos e influências na formação da língua nacional. São artigos elaborados a partir de ensaios escritos pela linguista Florence Carboni, italiana emigrada na Bélgica – graduada e pós-graduada em Linguística na Université Catholique de Louvain. Exerceu docência no Programa de Pós-Graduação em Linguística e História da Universidade de Passo Fundo. Mário Maestri, nascido em Porto Alegre, é graduado e pós-graduado em História pela UCLouvain. Ambos realizam cuidadosa linha do tempo, num trabalho de fôlego, situando o movimento de aquisição da linguagem como as múltiplas formas de dominação linguística a partir do período colonial até a atualidade. Leitura densa e permeada de expressivos exemplos que remetem a indicações para outros títulos.
Maria Vilma Rodrigues Nadal – Cadeira 31
Galvez – Imperador do Acre
Márcio Souza (Editora Brasília/Rio, 1978)
Um irreverente e debochado amálgama de história real, vivências experimentadas pelo autor e ficção, que nos transporta para a surreal aventura equatorial da incorporação do Território do Acre ao Brasil, no final do Século XIX e início do XX. O autor, premiado dramaturgo, romancista e jornalista manauara (1946-2024), transporta o leitor para o universo dos ribeirinhos, dos seringueiros imigrados do Ceará e de seu malogrado sonho de prosperidade e libertação, da febre do ouro amazônico – a borracha – e do desatino dos licenciosos homens e mulheres que desencadearam a efêmera “revolução” que acabou por resultar na solução das pendências territoriais entre Brasil, Bolívia e corporações da Inglaterra e EUA.
Mário Sérgio de Melo – Cadeira 7
Melodia de Uvaranas
Péricles de Holleben Mello (Editora UEPG, 2025)
Em tão poucas linhas, ainda que bem ou mal traçadas, torna-se realmente difícil tecer breves considerações a respeito de Melodia de Uvaranas, primeiro livro de poemas de Péricles de Holleben Mello, “uma obra que condensa uma trajetória e revela o poeta que sempre habitou o homem público”, que começou a se projetar nos Anos 80, elegendo-se vereador, deputado estadual, prefeito municipal e deputado reeleito. Como talento dos mais notáveis entre amigos que já discutiam muito Literatura e seus expoentes em encontros pelos barzinhos em torno da UEPG, indícios remotos mais recentes sobre a verve literária de Péricles pela década oitocentista já ganhavam elogios de Alvaro Augusto Cunha Rocha, primeiro Reitor da UEPG, como revelação literária e, infelizmente, poeta bissexto pra quem desfrutava de sua amizade e escrevia poesias em guardanapos, satisfazendo nossos momentos de happy hours de ontem…
Pra encerrar por aqui minha recomendação de leitura, apenas reafirmo a dificuldade em escrever sobre esse livro lançado pela Editora UEPG, em 5 de dezembro de 2025, pelo fato de que Péricles de Holleben Mello deverá ainda de ser descoberto pela crítica literária como uma das gratas revelações da poesia contemporânea brasileira. Em Melodia de Uvaranas, destaques para Porto Alegre, Razões do Meu Amor e, com a sensibilidade e visão humanitária descoberta em imagens pelo poeta Péricles, seu depoimento sobre A Poesia no Cotidiano. Graaannnde Péricles, meu amigo de alma para sempre…
Eduardo Gusmão dos Anjos Sobrinho – Cadeira 25
Akhenaton: a revolução espiritual do antigo Egito
Roger Bottini Paranhos (obra mediúnica orientada por Hermes e Radamés, publicada por Conhecimento Editorial, 2006).
A obra, ambientada às margens do Rio Nilo e em meio à mais espiritualizada e desenvolvida civilização da Idade Antiga, apresenta mensagem filosófico-espiritual ao descrever a trajetória de Akhenaton. Este faraó, considerado enviado de Cristo, é uma personagem que, muito além de seu tempo, revolucionou o Egito dando início à transformação religiosa na crença em um só deus, o que abalou os alicerces da sociedade egípcia no século XV antes de Cristo.
Apresentando referências desde a extinta Atlântida, há 12 mil anos, até a trajetória de Moisés, novo profeta do Deus Único, os autores registram uma instigante trama que a Alta Espiritualidade planejou para concretizar-se no cenário terreno, destinada a promover um grande avanço da humanidade encarnada nos séculos futuros.
Importante leitura: desafiadora e reflexiva! Recomendo …
Teresa Jussara Luporini – Cadeira 21