FLÁVIO MADALOSSO VIEIRA


Por diagramacao

DISCURSO DE POSSE – 14 DE MARÇO DE 2025

Boa-noite, senhoras, senhores, ilustres convidados, autoridades já mencionadas, caríssimos confrades e confreiras!

Ao tempo em que agradeço a presença de todos e os saúdo com alegria, passo ao rito singular em que tomo posse de um honroso cargo, sucedendo a uma Presidente e uma Diretoria cuja gestão elevou sobremaneira a nossa Academia.

Passo, agora, a usar o plural na autorreferência como enunciante desta alocução, mas antes de fazê-lo advirto que não se tratará, de modo algum, do pomposo plural majestático. Há de ser apenas a justa indicação de que falo por um coletivo, ou seja, em nome de uma Diretoria que comigo, com a mesma fé, determinação e coadunância de objetivos, enfrentará um desafio.

Sim. Um desafio. Os objetivos bem definidos visam à continuidade da ascensão da nossa Academia que tem experimentado fortes doses de arrojo, criatividade e tentativas bem sucedidas de inovações, progresso e bem fazer em nome das artes, em especial da literatura, honrando a premissa da qual foi concebida.

Sim. Desafio. Dar continuidade a projetos e ações já sedimentadas e em pleno funcionamento cujos resultados positivos são notórios e reconhecidos, além, logicamente de implantar novas estruturas e traçar novas metas cujos bons êxitos se farão notar graças à ação conjunta de, não apenas da Diretoria que ora assume, mas também, e principalmente, de toda uma confraria de quarenta membros que honram e honrarão sempre os seus patronos e patronesses, numa união a princípio utópica, mas que é exequível se trilharmos o caminho da paz e do bem fazer.

Lembro aqui a quarta estrofe do Hino da nossa Academia, do talentoso Sérgio Zan:
Lavradores da fiel confraria,
Que, movidos dum sonho imortal,
Vão lançando na tela vazia
As sementes da Forma ideal

Estes versos há pouco cantados nos lembram dos nossos ideais e nos põem a agir em prol da cultura da nossa região fazendo-nos lavradores das letras, fazendo-nos semeadores de intelectualidades que levarão aqueles que ensinarmos a realizarem grandezas que propiciem a elevação das nossas artes literárias. Aqui lembramos, também, que Cervantes com seu Dom Quixote elevou a Espanha, que Camões fecundou o mundo com o idioma português cantando as grandezas de Vasco da Gama, e tantos outros de tantos outros lugares e de tantos outros tempos fizeram com as letras a grandeza de nações, de povos e de culturas. E por que nós não? Temos potencial, temos talentos, metas, objetivos e organização. Temos recursos intelectuais, porém precisamos da fé, da coragem e, sobretudo, da união e orquestração de esforços, tanto internamente na Academia quanto na nossa região de ação e, também, da governança que rege a cidade, o estado e o país.

Assumimos o nosso encargo à frente de uma Academia, potencialmente forte e coesa, apoiados por uma diretoria capaz de realizar grandes feitos, e assim o faremos porque a nossa entidade não apenas merece, mas tem deveres a cumprir para com a sociedade.

Retorno agora ao singular como sujeito da alocução. Cheguei a esta Academia, neste mesmo espaço, em 31 de março de 2014, trazido pela valiosa herança de meu pai com os “Perfis da Cidade”, projeto que completará 73 anos no próximo dia 23, 40 com o Vieira Filho e 33 comigo, Vieira Neto. Quando assumi a cadeira 40, fi-lo com o intuito de colaborar para o engrandecimento da Academia, de continuar a produzir, então com a chancela de uma entidade de alto potencial artístico, cultural e intelectual. Tive oportunidades de expor-me como literato e também de colaborar para o engrandecimento da instituição. Acredito que cresci, aprendendo e ensinando, produzindo e testemunhando sucessos de meus honrados confrades.

Aqui estamos, então, vendo o semblante dos meus familiares, dos meus amigos, dos meus confrades, dos nossos convidados. Todos com a expectativa de que sejamos, eu e meus pares de diretoria, realizadores de grandes feitos em prol da cultura, das artes e da literatura, e assim o será, pois temos a convicção de que somos fortes e capazes e temos consciência da responsabilidade que nos pesa sobre os ombros e sobre nossos nomes e, com as bênçãos de Deus, com força e fé, desincumbir-nos-emos das nossas tarefas com honra e dignidade.

Então, assumo, pois, esta Presidência sob o resguardo da honra, do trabalho, da vida comunitária. Pesa sobre mim, nestes instantes, o aviso de que responderei, junto com a Diretoria, e em estreita ligação com todos os Acadêmicos, pelo difícil e digno dever de conduzir a Academia de Letras dos Campos Gerais nos caminhos da evolução literária da nossa região, servindo, também, como fiel defensor do nosso idioma e dos seus exatos e escorreitos usos.

Assim posto e exposto, agradecemos a Deus por esta oportunidade, agradecemos a cada um dos nobres confrades e confreiras, que depositaram confiança e esperança em mim e em toda a diretoria ora empossada e agradecemos também a presença de todos nossos familiares, amigos e convidados e declaramos encerrada esta solenidade e convido a todos para o jantar que já está servido.

Muito obrigado e boa-noite!

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