
Rafael Gustavo Pomim Lopes
Vice-Presidente da Academia de Letras dos Campos Gerais
Era uma radiante noite de verão quando a Presidente Neuza Helena Postiglione Mansani, com seu sorriso que evocava as musas das tragédias shakespearianas, estendeu-me um convite que mudaria minha trajetória. “Rafael,” disse ela, com a solenidade de quem invoca o destino, “aceite ser meu vice-presidente na Academia de Letras dos Campos Gerais.” Naquele instante, o mundo pareceu deter-se. O convite era mais que um cargo; era a confiança em meu papel como guardião do vernáculo, um arauto da palavra que, em terras tão férteis como os Campos Gerais, floresce como poesia.
Representar Jaguariaíva, minha terra natal, nessa posição foi uma honra que transcende o ordinário. Somos uma terra de histórias, onde cada esquina conta um “causo” e cada pedra ecoa memórias de outras eras. Levar o nome da minha cidade ao lado de intelectuais tão ilustres foi carregar o coração da minha história no peito, como uma bússola que me orienta. Não é todo dia que se tem o privilégio de ser a voz de sua gente em um palco tão significativo, em especial durante o ano de 2023, quando celebramos o bicentenário não apenas de Jaguariaíva, mas também de Ponta Grossa. Era como se os Campos Gerais cantassem em uníssono suas glórias ancestrais.
E que momentos vivi! A Sessão Solene e o Jantar de 25 anos da Academia, em 2024, foram como páginas de um livro de ouro. Ali, a tradição e o presente se entrelaçaram, e fomos brindados com o lançamento do Hino Acadêmico. Quando os versos de Sérgio Monteiro Zan ecoaram pela sala, foi como se o espírito da literatura se manifestasse: “Seja a ave de canto perfeito, que alce voo a levar os sinais e a riqueza, vibrando no peito, da palavra dos Campos Gerais!” Esse hino não apenas representava nossa Academia; ele era a própria alma dos Campos Gerais, alçando voo nas asas da palavra.
E o que dizer dos confrades e confreiras que compõem esta casa? Cada um, uma constelação própria, com luzes que iluminam as letras, as artes e a história. A qualidade de seus textos, o peso de suas ideias e a paixão com que defendem a cultura local são lições que levarei para sempre. A Academia não é apenas um espaço; é um organismo vivo, pulsante, que transforma o que toca.
Somos guardiões do vernáculo, sim, mas também somos escultores do tempo. A força da Academia está em sua capacidade de eternizar o efêmero, de transformar a memória em legado. Enquanto o mundo acelera, nós cultivamos a palavra, garantindo que ela floresça mesmo em terrenos áridos. Nas palavras de Shakespeare, “todo o mundo é um palco,” e nós, confrades e confreiras, somos os intérpretes, com o papel de honrar a história e iluminar o futuro.
Enquanto reflito sobre essa experiência, vejo o privilégio que foi testemunhar a força da palavra. A literatura, assim como a vida, é feita de encontros – de tempos, de pessoas, de ideias. E, ao longo dessa jornada, ficou claro para mim que a palavra é o pássaro que nunca perde o voo, mesmo em tempestades.
Permitam-me terminar com os versos inspiradores da Presidente Neuza Helena, que resumem tudo o que vivemos:
“Poeta, somos todos.
Poeta é pássaro.
No voo, arte da dança.
Na trama, sedução.”
Que sigamos alçando voos, levando os sinais e a riqueza dos Campos Gerais para além dos horizontes que ousamos imaginar.
