Morador de Castro viraliza ao resgatar memória da cidade com fotos antigas

A Prefeitura Municipal de Castro apresenta o perfil @temposdepois, iniciativa independente criada pelo castrense Cesar Russel que há dois meses vem resgatando a memória visual da cidade por meio de vídeos comparativos entre fotografias históricas e o registro atual dos mesmos locais.
A ideia nasceu de forma espontânea, durante uma sessão noturna de skate no entorno do Estádio Municipal Dorival Bortoluzzi, o Caramuru. Observando os jovens jogadores de basquete no local, Cesar percebeu que aquela geração não conhecia o espaço no formato antigo. “Lembrei que tinha uma foto da bilheteria. Vou postar”, conta. Aquela imagem se tornou a primeira publicação do perfil.
- Casas são destruídas após vendaval em cidade dos Campos Gerais; veja imagens
- Expoleite reúne 250 animais para julgamento da raça Holandesa em Arapoti
- Restauração em concreto da PR-151 entre Ponta Grossa e Palmeira chega a 58%
Garimpo e memória coletiva
O acervo que alimenta o projeto não veio de uma fonte única. O criador partiu de duas ou três fotografias próprias e foi ampliando o material por meio de um garimpo contínuo junto a conhecidos. A cada nova postagem, alguém nos comentários mencionava ter outras fotos guardadas. “E assim continuei garimpando com conhecidos”, explica.
Em uma dessas buscas, encontrou calendários antigos com diversas imagens da cidade. Fotografou as páginas com o celular, levou até um estúdio fotográfico e mandou imprimir no formato 15×21. Formou, assim, um arquivo físico que serve de base para a produção.
O processo de produção
O trabalho acontece nos fins de semana. Sábados e domingos são reservados para produzir o material; as publicações saem entre segunda e terça-feira. O processo começa sem descartes: todas as imagens coletadas entram na fila de produção. A triagem vem depois, já no campo. “Tem algumas fotos que quando chega no lugar ela não funciona — às vezes devido à qualidade da imagem, às vezes mudou muito e sobrou muito pouco para a comparação”, explica.
No enquadramento, o objetivo é fidelidade: reproduzir o mesmo ângulo da foto original no local atual. A edição é mínima. Nenhum filtro, nenhum ajuste de imagem. A única intervenção é a trilha sonora, escolhida a dedo. “Busco trechos cuja letra fale com a imagem”, diz.
Repercussão além das telas
Em dois meses, a resposta do público superou as expectativas. Nos comentários, moradores compartilham memórias e histórias vividas nos locais retratados. Mas a interação não fica restrita ao ambiente digital. Durante as gravações nas ruas da cidade, é frequente alguém se aproximar para conversar e compartilhar alguma lembrança. “Sempre alguém se aproxima pra conversar”, conta.
Entre os posts com maior repercussão estão o da antiga Casa de Saúde, que surpreendeu pelo volume de visualizações, e o da farmácia Nissei, instalada no local onde funcionava a Casa do Povo. “Rendeu muitas histórias de bastidores”, lembra.
O post favorito do criador, porém, é outro: o do Colégio Cavanis, que ocupou o prédio do antigo Colégio Diocesano Santa Cruz. “Me encanta muito a maneira de construção do prédio antigo. Esse prédio era uma obra de arte”, afirma.
Há também um registro que nunca chegou a ser publicado. Uma fotografia do CAIC que, ao ser confrontada com o presente, revelou uma transformação tão profunda que inviabilizou a comparação: uma construção, uma rua e árvores crescidas apagaram completamente o ângulo original.
Um livro no horizonte
O projeto tem ambições além das redes sociais. O criador planeja reunir as fotografias em um livro, acompanhado das histórias e curiosidades descobertas nos bastidores de cada produção.
E quando as fotos acabarem? O perfil não acaba. “O perfil fica ali como antigamente a gente ia até a biblioteca pesquisar. Hoje vai ali no Instagram e pesquisa o Tempos Depois”, compara. Além disso, novas imagens continuam chegando por meio de colaborações, e já há ideias em desenvolvimento para dar sequência ao projeto com o mesmo conceito de antes e depois. (Das assessorias)

